Uma sonoridade pop que não deixe de lado a história e as experiências no rock’n’roll nem o posicionamento firme quanto a questões como drogas e exploração de menores, mas que também seja jovem e divertida. Essa é a proposta da banda Droppes, que acaba de lançar seu primeiro CD, “Pop Music”, também o primeiro produto do selo da Associação das Emissoras de Rádio de TV do Estado de São Paulo (Aesp).
Formada por músicos da região de Campinas e da Capital paulista, a Droppes reúne a experiência do guitarrista, cantor e compositor Edson Gritti e a busca por novos sons e o sentimento pop do cantor, violonista e compositor Willian Giati. A banda conta ainda com Ricardo Franzoni (guitarra solo), Eduardo Tegué (bateria) e Francis (baixo).
Tocando juntos há aproximadamente três anos, os músicos reuniram algumas canções de cada compositor e vêm produzindo outras faixas, com o intuito de deixar os covers de lado e firmar-se como uma banda de voz própria. A primeira música de trabalho é a balada quase acústica “Amor de Praia”, que já está na programação de rádios de todo o Estado.
“Essa é a faixa mais pop do CD, mais adolescente. É uma balada com violão e piano baseada em uma história verídica, mas que já aconteceu com quase todo mundo: aquela coisa de encontrar uma pessoa, se apaixonar mas saber que é um amor de verão, de férias”, comenta Willian, compositor da música.
Pela mesma onda, a banda segue em canções como as baladas “Noite”, “Quando Você Chora” (“Eu não sou sincero o suficiente para que você me ame desse jeito/ Tão pouco eu tenho feito para manter nosso romance que agora congela/ Mas você prefere o frio das noites mais solitárias/ Insistindo nos erros que eu mesmo te ensinava”), e “Meu Vício”, essa mais confessional.
“Amar a Dois” tem ecos da influência do Barão Vermelho no som da Droppes, com vocal mais forte, guitarras mais altas e letra menos adolescente, assim como “Atos dos Opostos” (“As pessoas fazem mágicas/ Para conseguir o pão/ E a América ajoelha/ Implorando por perdão”). Mais pessoal é também “Perdi a Razão”, que tem um riff vindo direto das baladas do hard rock dos anos 80.
“A banda reuniu muitas experiências e influências diferentes. Tem três músicos mais velhos e dois bem mais jovens, então isso possibilitou uma mistura muito legal para as músicas, para os arranjos. Eu trago esse lado dos anos 80, enquanto o Willian é bem mais do pop rock dos anos 90 e mais atual”, comenta Gritti.
O lado mais crítico dos compositores é exposto na suingada “Talco Proibido”, que detona a futilidade do estereótipo “sexo, drogas e rock’n’roll” e na entrega dos jovens a um comportamento prejudicial, segundo Willian. “O talco proibido/ Espelho sem moldura, o cheiro da derrota/ O tal do comprimido no seio da loucura/ Num beco sem resposta”, diz a letra de Gritti.
“Por Acaso” acrescenta ao som da Droppes ainda um toque de blues, inclusive na letra, que fala da mulher “venenosa” que enfeitiça os pobres homens e os tira de seus caminhos. “Sou Brasileiro” é a faixa mais pesada do CD e põe em conflito temas como o sentimento de nacionalidade e a religião.
“Droppes”, que fecha o disco, antes era “Drops, Chocolate e Cocaína” (“Olhem as crianças nas esquinas/ Dropes, chocolate, cocaína/ Olhem a esperança em ruínas/ Cola, entorpecente e heroína/ No farol, você não vê o sinal fechado/ O vermelho nos seus olhos é real/ As avenidas, trincheiras das noites/ São manchetes nos jornais”).
“Essa é a música mais pesada no nosso repertório, na minha opinião, especialmente pela letra. Desde que formamos a banda, buscamos uma identidade a partir das nossas influências. Temos faixas mais adolescentes mas não deixamos de lado essa postura crítica que é preciso ter quando se fala para um público amplo”, comenta o guitarrista.
O CD da banda Droppes tem distribuição independente. Mais informações sobre o grupo em seu site oficial, www.droppes.com.br.