Jaú – Enquanto o museu Comandante João Ribeiro de Barros não fica pronto em Jaú (a 47 quilômetros de Bauru), o hidroavião Savoia Marchetti S-55, batizado como Jahu, já tem um lugar para ficar exposto ao público. Será em galpão climatizado onde a aeronave terá condições de ser visitada, conforme desejo da família.
Ainda tramita ação dos familiares de Ribeiro de Barros contra da Fundação Santos Dumont, para quem o acervo histórico do comandante e, portanto, o hidroavião doado em 1968, seja retomado. No acordo de doação há uma cláusula que prevê a devolução para posse dos familiares.
O último recurso impetrado pelos familiares foi no final de 2006, na Comarca de São Paulo, solicitando o retorno da doação, porém já prevendo a destinação da aeronave para Jaú. A demora, conforme Ismael Ribeiro de Barros Filho, sobrinho de Ribeiro de Barros, deve-se ao fato que o acervo do Museu da Aeronáutica foi transferido pela Prefeitura de São Paulo para o Centro Municipal de Campismo (Cemucam), localizado em Cotia. Este ano, com o fim do recesso da Justiça, o juiz entendeu que ação tem de ser apreciada pela Justiça na Comarca de Cotia.
Ismael explica que já está pronto um galpão em Jaú onde a aeronave ficará assim que a decisão judicial retorne a posse para os familiares. “Eu já pedi liminar para que saia o avião imediatamente”, garante Ismael. Ele conta que a Secretaria Estadual de Cultura enviou um museólogo para avaliar eventuais modificações no prédio, como instalação de sistema de temperatura ambiente. A idéia dos familiares é que o local receba visitantes com uma exposição didática.
A família quer que o acervo, inclusive o Jahu, seja preservado para que a história do Comandante João Ribeiro de Barros permaneça, não apenas preservada, mas dissemidada para as novas gerações. O aviador jauense João Ribeiro de Barros cruzou o Oceano Atlântico a bordo do hidroavião há quase 80 anos - 28 de abril de 1927. A travessia Gênova (Itália) a São Paulo (Brasil) é um marco mundial para a história da aeronaútica.
Em relação à questão judicial, Ismael entende que, pela lógica, deve prevalecer o direito dos familiares de posse do hidroavião. “Nós vamos ganhar. Acho que é tão evidente o que é razão e o que é abandono como a fundação está fazendo, que qualquer pessoa de bom senso, o juiz, vai olhar e dizer que não tem dúvida nenhuma e que deve ir para Jaú”, salienta.
Quem observar o hidroavião hoje, após completo restauro coordenado pela Helipark, não acreditaria que era a mesma aeronave trazida para o galpão da Polícia Militar (PM), no Campo de Marte, quando a família impediu, por medida judicial, que a aeronave fosse enviada para Cotia.
Ismael lembra que o avião foi abandonado pela Fundação e a iniciativa de João Velloso (da Helipark) evitou a perda definitiva desse bem que recentemente foi tombado pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Jahu (CONPPAC/Jahu). Como publicou o JC, para garantir a posse do avião, a Prefeitura de Jaú publicou o decreto lei 5.530, com data de 5 de março, transformando o Jahu utilidade pública. Com essa medida, a administração abriu caminho para também garantir a posse da aeronave por medida judicial para sua desapropriação da fundação. A medida foi anunciada quando se levantou a hipótese do Jahu seguir para o município de São Carlos, onde a TAM incluiria o avião no Museu Asas de Um Sonho.
“A fundação não tem dinheiro para nada. O resto do acervo está lá e a gente nem pode olhar porque eles trancaram lá dentro. É complicado porque você tem tudo o que foi doado, mas sumiu muita coisa e eles são os responsáveis pela doação”, ressalta Ismael.