O Museu Histórico Municipal abre hoje a exposição “Areté”, em homenagem ao Dia do Índio (19 de abril) e às diversas etnias que viveram na região de Bauru. “Areté” significa “Dia festivo” em tupi-guarani – bem apropriado para uma mostra de peças, artefatos e objetos que revivem parte importante da história do Interior de São Paulo.
A exposição é coordenada pelo agente cultural Valter Tomaz Ferreira Júnior, do Museu Ferroviário Regional, que é descendente de índios tupi-guarani. Ele explica que a proposta da mostra é de promover uma grande reunião das etnias indígenas da região de Bauru, do Interior e também do Mato Grosso. “São materiais do nosso próprio acervo (dos museus Ferroviário e Municipal). Procuramos limitar a história do índio ao Interior paulista e Mato Grosso, especialmente pela ferrovia que interferiu bastante na vida dos indígenas”, comenta.
Ferreira destaca que a maior parte das peças da exposição é dos kaigangs – índios guerreiros em sua natureza, que habitaram a região de Bauru -, dos terenas e kadweus. “Mostramos especialmente a diferença das cerâmicas produzidas pelos terenas e kadweus. Cada uma tem traços especiais de cada cultura. Dos guaranis, não temos muita coisa, infelizmente. Mostramos uma urna funerária e o mais rico, que é a linguagem deles, grande influência na língua portuguesa”, aponta o agente cultural. A exposição tem ainda objetos e artefatos de tribos conhecidas nacionalmente, como Xavante, Yanomani e Carajá.
Para facilitar o entendimento do que cada agrupamento indígena representou, as peças foram divididas em pequenas mostras, expostas em um grande cenário tupi-guarani, com elementos originários das matas da região, como folhas de coqueiro, bambu, madeira e outros elementos da natureza.
“Todo o esforço das duas instituições, num trabalho em conjunto dos dois museus públicos, merece ser visto, pois efetuamos um intenso trabalho de pesquisa e documentação do material que estará exposto”, frisa Ferreira. Sua pesquisa durou aproximadamente 30 dias e uniu as equipes das duas instituições.
Para valorizar o trabalho, o Museu Histórico teve praticamente toda instalação alterada, para dar destaque à temática indígena. “A decisão de união dos dois acervos foi no sentido de proporcionarmos algo inusitado, bem mais grandioso do que apresentamos nos anos anteriores sobre o tema e o resultado pode ser conferido e avaliado por toda nossa comunidade”, avalia Henrique Perazzi de Aquino, diretor de Proteção ao Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Cultura.
O agendamento de visitas por grupos e escolas pode ser realizado no próprio museu, de terça a sábado, das 9h às 17h. As visitas agendadas têm monitoria especial.
• Serviço
Exposição “Areté” no Museu Histórico Municipal até 19 de maio. O museu fica na rua Antônio Alves, 13-31, no Centro. Mais informações pelo telefone (14) 3227-7320.
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Circuito
A exposição “Areté” se acrescenta a um roteiro de visitação, indicado por Henrique Perazzi de Aquino, sobre o índio em Bauru. A Fundação Nacional do Índio (Funai) mantém até sexta-feira a exposição “O Índio na Literatura Infanto-Juvenil no Brasil”. A sede da Funai fica na rua Xingu, 7-70, no Higienópolis. Outras informações pelo telefone (14) 3224-2955.
O Espaço Cultural Leônidas Simonetti – 94 FM tem a mostra “Viajando pelo Mundo da História do Povo Terena”. A emissora fica na rua Marcos Augusto Genovês Serra, 3-35 - Jardim Regina. Mais informações: (14) 3235-9490.