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Dr. Automóvel: Sistema de direção

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Uma das coisas que todo carro tem é um sistema de direção. Como é um equipamento de segurança, dificilmente dá problema e por isso muitas vezes o negligenciamos. O sistema de direção é composto de vários outros conjuntos e peças, como a caixa de direção, a coluna de direção, o volante, o braço Pitman, braços, terminais, munhões, bomba de óleo, correias, etc. Cada um com suas funções e peculiaridades.

Começando pela parte central do sistema, que é a própria caixa de direção. Este é um sistema com um mecanismo que transforma um movimento giratório (do volante) em um movimento retilíneo (para direita ou esquerda) ou giratório (para a frente e para trás), que depois será modificado para alterar a direção das rodas. Este mecanismo pode ser de várias formas, como engrenagens, rosca sem fim, pinhão e cremalheira, hidráulicos ou pneumáticos.

As caixas de direção podem ser mecânicas (movidas pela força humana), servo-assistidas (em que o movimento humano libera pressão hidráulica ou pneumática que movimenta a caixa de direção) ou elétricas, onde o volante aciona um motor elétrico que faz a força toda. As mais antigas requeriam um ajuste de folga entre o sem-fim e o eixo, e isto era feito por um simples parafuso com contraporca. Bastava apertar mais o parafuso que a folga sumia. Eram caixas antigas que precisavam de óleo grosso como lubrificante. Hoje em dia a maioria das caixas de direção são servo-assistidas, com bomba de óleo. A vantagem destas caixas servo-assistidas, comumente chamadas de direção hidráulica, é que requerem muito menos esforço para girar o volante.

O movimento do volante é transmitido à caixa de direção através da coluna e da barra de direção, que hoje em dia são articuladas e não mais retas como antigamente. O motivo é que, em caso de batida frontal, todo o conjunto dianteiro era projetado para trás e a barra de direção entrava como uma lança, espremendo o pobre motorista com o volante. Hoje, como é articulada, não mais transmite o movimento de entrada da caixa de direção para o volante em caso de colisão frontal, salvando assim o agora feliz motorista.

Bem, vimos então que quando se gira o volante, giramos também um eixo articulado (a barra de direção) e que esta aciona a caixa de direção, que por sua vez produzirá um movimento retilíneo para um lado e para o outro no caso de caixas tipo cremalheira, ou um movimento giratório no caso das do tipo sem-fim. Este último é o mais usual em carros de passeio e se vale deste movimento giratório para frente e para trás para acionar os balancins e braços de direção, através do braço Pitman, que é uma peça grande de aço fundido, que faz todo este movimento funcionar sob o comando do volante.

Como as rodas estão solidárias à suspensão, conseqüentemente terão um movimento oscilatório para cima e para baixo. As rodas direcionais dianteiras, além deste movimento de sobe e desce, ainda tem que poder virar para a direita e para a esquerda. E como fazer com que barras de direção possam alterar o sentido de um movimento com tanta oscilação? Aí entram os chamados pivôs de direção, que são rótulas lubrificadas que permitem a articulação entre duas peças móveis. Estes pivôs podem com o tempo de uso vir a sofrer desgaste e apresentarem folgas. Estas folgas são transmitidas ao volante e o motorista as percebe através de movimentos do volante sem efeito na direção, barulhos secos e instabilidade direcional, pois o carro não permanece em linha reta na pista e fica oscilando de um lado para o outro, precisando de constante correção do volante.

Como os pivôs são considerados itens de segurança e de medidas muito precisas, não dão reparo confiável e é sempre recomendável que sejam substituídos quando necessário. Já os braços de direção permitem ajustes de regulagem longitudinal, que se faz necessário para a regulagem do alinhamento e convergência das rodas, fundamentais para a boa geometria de suspensão e direção.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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