Política

Tuga terminará com quatro metas

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O prefeito Tuga Angerami aproveitou a solenidade de reinauguração da unidade básica de saúde da Vila Cardia, ontem de manhã, para falar sobre seu mandato, suas aspirações pessoais e seu futuro político e comentou que as principais intervenções até o final de seu mandato, em dezembro de 2008, estarão nas áreas do equilíbrio das finanças municipais, tratamento de esgoto, reestruturação da saúde básica e reestruturação na área de limpeza pública.

O dia em que comemorou o seu aniversário de 57 anos foi o mesmo em que o prefeito aproveitou para falar sobre as críticas que recebe, a lentidão nas respostas do Poder Público para variadas demandas e sua reação diante dos episódios. “Administrar também é ver e gerenciar a escassez, uma dívida imensa, sem que se possa dar respostas para uma enormidade de buracos e a frota sucateada. Administrar não é dar passos na velocidade que a cidade espera. É dar passos do tamanho do orçamento, sem repetir erros do passado e endividar a prefeitura sem regras, sem prioridades”, avaliou.

Em uma espécie de auto-avaliação, Angerami deixou pontuado que está se valendo do lado psicólogo – sua formação acadêmica – para digerir a relação entre tempo e críticas e reforçou que vai, como tem dito, deixar a carreira política. “Assumi como o último passo meu na vida pública e por isso eu não busco aplausos. Meu maior prazer ao deixar o governo será olhar para trás e ver que deixei a prefeitura pronta para dar passos mais céleres. São justas as cobranças, críticas, a situação realmente é difícil e existem muitas demandas sem resposta. Mas não posso perder a lucidez. Meu papel será preparar a cidade para os próximos 15 anos”, emendou em seu discurso para moradores da Vila Cardia e secretários municipais.

Tuga acha que sua gestão será lembrada por ter atuado no equilíbrio das finanças, a manutenção dos principais compromissos em dia e a negociação de dívidas herdadas como a da previdência (R$ 80 milhões), restos a pagar da gestão anterior (R$ 35 milhões), retomada de pagamentos com federalização, Funprev e possível acordo para parcelar a dívida com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), cobrada pela empresa por R$ 14,5 milhões desde 2001. “Para a cidade será muito importante ter que a dívida que crescia tanto e não se pagava e só na previdência se corria o risco de arrecadar, em alguns anos, só para pagar aposentadorias e pensões”, reforçou.

Saneamento público

Tuga Angerami elencou as metas principais de seu governo. “Fizemos 20 quilômetros de interceptores de esgoto, a estação do Gasparini sai até o final deste ano e nos próximos dias sai a licitação para a estação principal de esgoto, perto do Distrito Industrial. E para isso foi feito um pacto por Bauru, onde a população está pagando um pouco mais na conta do esgoto para o tratamento ficar pronto em alguns anos e sem gerar dívida. Vamos tentar garantir que o recurso carimbado seja usado para concluir o tratamento”, disse apontando o esgoto como uma de suas marcas de gestão.

O prefeito disse que não está anunciando investimentos na frota de caminhões lixo porque “já sobra dinheiro”, mas porque decidiu incluir este setor como prioridade em sua gestão. “Já era prioridade, mas eu tive que usar o orçamento para pagar dívidas. Não está sobrando dinheiro e não vai sobrar. Mas não tem outra solução é prioridade e agora não dá para esperar. Vamos concentrar nosso orçamento até o final do mandato em núcleos de saúde, esgoto e lixo principalmente”, pontuou.

Ontem, no primeiro dia de greve dos funcionários na área de coleta de lixo, o prefeito anunciou a compra de seis caminhões novos de coleta de lixo e o aluguel de outros cinco para resolver a carência no setor. “A maior parte dos caminhões é da década de 80 no lixo. Vamos equacionar esta questão”, apontou, depois de conviver com a crise no setor e a tentativa de terceirizar o serviço de coleta por mais de uma vez.

Angerami inseriu em seu raciocínio a reestruturação nas unidades básicas de saúde, cujo programa prevê inverter a pirâmide de atendimentos, privilegiando os serviços ambulatoriais aos de urgência e emergência, com a ampliação e reforma dos equipamentos nos principais bairros.

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