A onda de assassinatos iniciada após os ataques do crime organizado em São Paulo, no ano passado, impulsionou o armamento dos agentes penitenciários e de escolta. Desde a regulamentação do decreto 315 da Polícia Federal (PF), que autoriza o porte de arma para a categoria, em julho do ano passado, cerca de 100 dos quase 2 mil funcionários das penitenciárias de Bauru e região já circulam nas ruas munidos de revólver, fora do horário de expediente.
O Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindcop) aponta ainda que outros 400 agentes de Bauru e região aguardam a liberação da documentação por parte da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) para comprar arma. De acordo com o Sindcop, cerca de 700 funcionários de presídios andam armado sem todo o Estado.
O crescente armamento dos agentes se deve, em grande parte, ao receio desses profissionais de sofrerem represálias ou emboscadas fora do horário de trabalho. Eles se consideram os primeiros na lista de vingança dos presos pelo fato de trabalharem em contato direto com os detentos.
“Eles nos conhecem e, quando sofrem alguma sanção imposta pelo Estado, descarregam na gente”, explica o agente de escolta T.F.M., 24 anos, que ainda não deu entrada no porte de arma, mas pretende fazê-lo em breve. “Se eles souberem que você está armado, vão pensar duas vezes antes de fazer qualquer coisa”, diz, sem revelar o nome completo por medo de represália.
Segundo o presidente do Sindcop, Pedro Farias Lopes, somente neste ano, sete colegas foram assassinados no Estado. O último caso ocorreu na terça-feira passada, quando Vanda Rita Brito do Rego, 59 anos, foi executada com 15 tiros em São Paulo. “Se tivéssemos um governo sério, todos os agentes teriam arma se tivessem condição de comprá-la”, afirma Farias.
Apesar do sindicato da categoria da região de Presidente Prudente ter anunciado que os agentes vão paralisar as atividades neste final de semana como ato de protesto pelas mortes, a direção do Sindcop informa que em Bauru e região a medida não será adotada. Os agentes penitenciários das unidades prisionais da região estão orientados a receber os familiares de presos bem como os alimentos e demais itens que levarem aos detentos.
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Alto interesse
De acordo com Carlos Roberto Romacho, colaborador do Sindcop, responsável pela solicitação de porte de arma para os agentes, a primeira leva de autorizações ocorreu em janeiro, quando 359 membros da categoria no Estado passaram a ter o direito de andarem armados. “Uma segunda remessa foi enviada em março. Cerca de 500 pessoas solicitaram a autorização, mas não sei ao certo quantos pedidos foram deferidos”, revela.
Ele afirma que em breve mais mil agentes poderão ter o direito ao porte. “Eles entraram com pedido de compra, transferência ou registro de arma e só depois poderão solicitar a permissão”, explica.