Em Bauru, a wicca ainda é pouco difundida ou, no mínimo, seus adeptos são pouco organizados. Ainda não há conhecimento de nenhum grupo (coven) que se reúne regularmente na cidade. “Aqui, os wiccianos realizam os rituais sozinhos”, diz a bruxa Camila Ferreira.
A empresária Valéria, que preferiu não fornecer o nome completo, estudou wicca durante seis anos. Segundo ela, não existe um livro único que transmita os conhecimentos dessa religião aos seus adeptos, como é a Bíblia para os cristãos. No caso da wicca, os conhecimentos estão nos livros, em vários e não apenas um, ou na transmissão oral.
Tantas leituras remeteu Valéria aos primórdios da wicca. Ou seja, ao paganismo, que, segundo ela, é mais simples. Assim como a wicca, o paganismo tem forte ligação com a natureza. Segundo Valéria, trata-se da primeira religião ecológica. Ela é anterior ao cristianismo. O lema do paganismo é “faça o que você quiser desde que não faça mal a nada e a ninguém”.
De acordo com Valéria, a wicca é uma releitura do paganismo. Em 1952, quando a bruxaria deixou de ser considerada crime na Inglaterra, os pagãos deram um nome novo para a religião, que passou a se chamar wicca. E esse será o tema central de “Eterna Magia”, próxima novela das seis da Rede Globo. As primeiras cenas da novela devem ser gravadas em Dublin, na Irlanda, berço da wicca.
Na opinião de Camila, a exposição da wicca em uma novela da Globo preocupa. Segundo ela, nem sempre os assuntos são tratados pelas com a seriedade que merecem. “Normalmente, elas passam informações equivocadas, que nem sempre representam a realidade”, observa ela.
Para Meire Correa Gomes, mestre de reiki e coordenadora do curso de wicca que será oferecido no dia 2 de junho, embora possam surgir oportunistas, a novela deverá despertar também o interesse de pessoas sérias, que realmente estejam a fim de conhecer a religião. “A curiosidade sempre vai existir, mas só permanece quem tem o dom (de ser bruxa)”, afirma Camila.