Cultura

De volta aos anos 1970

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

“The time goes by and I know/ I’ll find another girl/ But I still remember/ She made me cry”. Lembrou? Sim, eram os Pholhas, brasileiros que construíram uma carreira de enorme sucesso com suas baladas e rocks nos anos 1970, mesmo cantando em inglês. E eles retornam a Bauru na segunda-feira, véspera de feriado, para relembrar hits de uma época que deixou saudade. O show será no Bauru Tênis Clube (BTC) e os ingressos já estão à venda.

“É... Não vamos para Bauru há muitos anos. Já tocamos aí muitas vezes, mais de dez, mas creio que não fazemos shows na cidade nem aparecemos por aí há pelo menos 20 anos. Vai ser legal esse retorno”, comenta Wagner “Bitão” Benatti (guitarras e vocal), que forma o Pholhas juntamente com Paulo Fernandes (bateria e vocal), Hélio Santisteban (teclados e vocal) e João Alberto (baixo e vocal). O grupo traz ainda o tecladista Marinho, que integrou a banda quando Santisteban partiu em carreira solo, nos anos 80.

Segundo Bitão, o show deve concentrar-se nos grandes sucessos da carreira do Pholhas e covers de sucessos contemporâneos ao início da carreira do grupo, incluindo hits de Bee Gees, Creedence Clearwater Revival e Elton John, e ainda Beatles e Elvis Presley. Esse repertório com as releituras das principais influências dos músicos foi gravado no CD “70’s Greatest Hits”, lançado em 2003.

Bitão comenta que a banda vem levando uma carreira independente, sem ligações com gravadoras. Um de seus últimos projetos, o CD “Pholhas ao Vivo! No Brasil”, gravado em diversas apresentações pelo País, relembra hits próprios do começo da carreira.

“Esse disco foi nossa primeira produção independente e só vendemos em shows e no site oficial. Ele tem os sucessos que estouraram de 1972 a 77”, comenta o guitarrista e vocalista. “O pessoal mais jovem conhece as músicas e ainda acha que são de grupos estrangeiros. Quando nos vêem tocando ao vivo, eles se assustam. O pessoal mais antigo sabe, acompanhou nosso sucesso”, frisa Bitão.

• Serviço

Pholhas faz show na segunda-feira (30 de abril, véspera de feriado) no Bauru Tênis Clube, a partir das 22h30. Reservas e ingressos à venda nas lojas Music Sound e na secretaria do clube, na rua Gustavo Maciel 12-33. Mais informações: (14) 3104-5655 e 3227-8031.

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Quatro décadas

No próximo ano, o Pholhas completa 40 anos e as comemorações já estão na pauta dos músicos. “Estamos pensando no lançamento de um DVD, que ainda não temos. Estamos independentes, então devemos fazer a produção primeiro para depois ‘vender’ a alguma gravadora. É uma data que não pode passar sem uma celebração”, diz Bitão.

O Pholhas foi formado em 1968, em São Paulo, quando Santisteban, Fernandes e Oswaldo Malagutti convidaram Bitão (autor do sucesso da jovem guarda “Tijolinho”) para integrar um grupo que reunisse todas as suas afinidades musicais. Depois de grande repercussão e de arrebanharem fãs por todo o Estado, com a qualidade instrumental e vocal do grupo, eles chegaram ao primeiro disco, gravado em 1972.

“Desde o começo, nossas composições eram em inglês. Era uma situação diferente na época, a música internacional era o que fazia sucesso”, relembra Bitão. Logo no primeiro disco, a banda estourou “My Mistake”, “Pope”, “Shadow of Love” e “My First Girl”, com 400 mil cópias vendidas do primeiro compacto.

O sucesso com composições próprias, em inglês, seguiu até 1977, quando a disco music invadiu as rádios e TVs. O Pholhas chegou a gravar um disco com covers dos principais sucessos das discotecas. Com a saída de Santisteban, o grupo ousou com um disco de rock progressivo em português.

“Fizemos esse disco de 1977 em português, que não era no estilo do Pholhas, e depois outro, em 1986. Esse até tocou em rádio, mas estávamos em uma gravadora pequena, que não sustentou o sucesso na mídia”, lembra o guitarrista.

Em 1978, Malagutti deixou a banda e João Alberto entrou em seu lugar. Com o retorno de Santisteban em 1981, o Pholhas chegou à formação que permanece até hoje, incluindo Marinho como segundo tecladista.

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