Rio - Em depoimento ontem para a 6.ª Vara Criminal do Rio, Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães -presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), e Aniz Abraão David, o Anísio - presidente do conselho da Liesa e presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis, negaram envolvimento com a suposta quadrilha que atuava na compra de sentenças para beneficiar a máfia do jogo.
A informação é dos seus advogados, Nélio Machado e Ubiratan Guedes, respectivamente. Guimarães, Aniz e o o bicheiro Antonio Petrus Kalil, o Turcão, foram os primeiros dos 24 acusados sem foro privilegiado a depor na 6.ª Vara.
O advogado de Turcão saiu do tribunal sem falar com a imprensa. Guimarães afirmou que seu patrimônio é resultado do dinheiro obtido com aluguéis, investimentos e remuneração paga pela Liesa. Aniz afirmou que recebe aposentadoria, que tem aplicações e que ganhou dinheiro com a venda de imóveis. Eles afirmaram ainda que no passado tiveram envolvimento com o jogo do bicho, mas que hoje não têm relação com essa prática (tipificada como contravenção).
Antes de depor, Turcão alegou desconforto e reclamou que ficou muito tempo sem se alimentar. Ele havia comido apenas um misto quente acompanhado por um suco de caju. O bicheiro foi atendido pela equipe médica do tribunal que constatou que sua pressão estava normal. A megaoperação da Polícia Federal atingiu magistrados, bicheiros, policiais, empresários, advogados e organizadores do Carnaval do Rio. Eles são acusados de praticar os crimes de tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Dos 25 presos inicialmente, quatro (com foro privilegiado) foram soltos no final de semana: ex-vice-presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2.ª Região, desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim; o desembargador federal José Ricardo de Siqueira Regueira, também do TRF da 2.ª Região; o juiz Ernesto da Luz Pinto Dória, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15.ª Região, e o procurador regional da República do Rio João Sérgio Leal Pereira. Os 21 restantes tiveram a prisão preventiva decretada. Mais tarde, a Justiça decretou a prisão de mais três, elevando para 24 o número de denunciados no inquérito que tramita na 6.ª Vara Criminal do Rio.
Os quatro acusados com foro privilegiado terão de apresentar defesa ao Supremo Tribunal Federal.