A Secretaria Municipal de Saúde recebeu ontem do Instituto Adolfo Lutz a confirmação de 206 novos casos de dengue em Bauru. Do total, 202 foram contraídos na cidade (autóctones), três são importados e um é referente a uma pessoa em trânsito. Somando tudo, o município já tem 710 casos. Mas a pior notícia ainda está por vir: em apenas um mês, o número pode saltar para mil.
A projeção leva em conta a quantidade de pessoas aguardando resultado de exames, que geralmente é divulgado a cada dez dias. Juntos, os nomes na fila de espera eqüivalem a uma média de 300 pessoas, sendo que entre 60% e 70% delas confirmam o diagnóstico. Os dados foram reiterados por Flávio Tadeu Salvador, encarregado das equipes de campo do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).
De acordo com ele, quando a soma chegar a 1.070, as coletas de sangue para a confirmação de dengue serão interrompidas. Neste caso, a doença estará tão disseminada, que apenas o teste clínico será suficiente para confirmar novos pacientes. Trata-se de um critério clínico epidemiológico, utilizado também em outros municípios.
Clima
Dos 710 registros atuais de Bauru, 654 são autóctones, 49 importados e 7 em trânsito. E as variações do clima podem, inclusive, piorar a situação. A frente fria, que baixou a temperatura e poderia brecar o ciclo biológico do mosquito Aedes aegypti, trouxe também chuva.
Numa cidade repleta de criadouros, a água aculumada aliada às altas temperaturas garantem, mais uma vez, ambiente perfeito à procriação do mosquito, acrescenta Fernando Marques de Almeida, engenheiro agrônomo e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Botucatu.
Segundo previsões do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), a temperatura estará em elevação até a próxima terça-feira, quando deve atingir 29 graus. A partir de segunda-feira, o céu pode até ficar nublado, mas a chuva não garantirá mais refresco. Já em épocas frias, a incidência de casos de dengue diminui.
O ovo do mosquito, no entanto, pode ficar latente por até um ano, esperando uma oportunidade de calor e unidade, acrescenta Almeida. De acordo com ele, a resistência do mosquito tem aumentado não apenas com relação ao veneno, mas também à temperatura. Porém, independentemente do termômetro, as equipes de nebulização mantêm a aplicação de inseticida na região no Núcleo Nova Bauru.
Já os agentes que realizam o trabalho de bloqueio estão distribuídos nos bairros onde foram registrados casos da doença. Eles fazem o serviço de orientação, além da busca de possíveis novos casos e criadouros do mosquito transmissor, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura.