Nacional

Brasil terá 7º PIB do mundo em 2007

Por Karen Camacho | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou ontem que o Brasil fechará o ano de 2007 com o sétimo Produto Interno Bruto (PIB) no ranking mundial, considerando a nova metodologia adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ministro participa de evento em sua homenagem promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo.

Após a revisão do IBGE, a expansão da economia brasileira em 2006 foi elevada de 2,9% para um crescimento de 3,7% - em valores, o PIB brasileiro atingiu R$ 2,3 trilhões. As novas contas nacionais passaram levar em conta 56 atividades econômicas e 110 produtos, contra 43 atividades e 80 produtos calculados anteriormente.

O ministro afirmou que em três ou quatro anos, a relação de dívida e PIB ficará entre 36% e 37% - atualmente, esta relação é de 45%. Mantega disse ainda que a apreciação cambial é “quase inevitável”. Por conta disso, de acordo com ele, o câmbio “se torna o maior desafio” da política econômica. Entre os motivos para esta apreciação estão o superávit comercial e de conta corrente e o fluxo comercial. “Evidentemente, isso traz prejuízo para alguns setores da economia. Portanto, é um desafio para o governo.”

Ainda no mesmo tema, o ministro defendeu que o governo deve se concentrar em apoiar a indústria da transformação e alguns setores que sofrem com a competição externa, como os têxteis e bens de capital. Nesta semana, por exemplo, a tarifa de importação de têxteis e calçados subiu de 20% para 35%. “É inaceitável que o Brasil seja mero exportador de matéria prima. É importante garantir o desenvolvimento de produtos brasileiros com valor agregado e o avanço tecnológico”, disse o ministro.

Crítica

Mantega afirmou ontem que o spread - diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes - e as tarifas bancárias são muito elevadas no país. Por isso, os dois pontos serão negociados pelo governo diretamente com as instituições. “Temos que atacar o spread. Não é possível que o spread seja mais elevado que a Selic”, disse ele.

Segundo o ministro, o tema está na “ordem do dia” do Ministério da Fazenda e do Banco Central, que vão estudar as razões para “taxas tão altas”. “Pode ser a CPMF ou o compulsório. Ou será que os bancos querem lucratividade? Vamos analisar o que podemos fazer para a redução. Se tiver algo que o governo puder fazer, ele não vai se furtar, mas não podemos continuar com o spread tão elevado”, disse.

Para Mantega, “é inconcebível um país com uma inflação de 3% a 4% ao ano ter taxas entre 35% e 36%. Não há lucro (de empresa) que resista. Isso inibe o crescimento sustentável do país. Há uma queda maior dos juros e acho que o spread poderia estar caindo mais”, afirmou.

Mantega disse que os setores que mais sofrem com as altas taxas são as pequenas e médias empresas, já que as grandes possuem outros meios de financiamento. “As pequenas e médias empresas pagam um spread alto. (Sem ele), poderiam estar crescendo mais.”

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), em situações anteriores, já reivindicou ao governo medidas que permitissem a redução do spread. Em relação às tarifas bancárias, o ministro afirmou que elas são livres e que o governo não pode impor valores.

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