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‘Até na escola existe discriminação’

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

“Fiz a inscrição do meu filho em uma escola infantil aqui do bairro. Das outras crianças que eu conheço e que também fizeram a inscrição, ele foi o único que não foi chamado”, critica Viviane (nome fictício), 27 anos.

Na opinião dela, isso se deve ao fato do menino ser filho de presidiário. “Por que tinha vaga para todas as outras crianças e para meu filho não?”, questiona ela, que teve de matricular o menino em uma escola distante do bairro onde mora.

Por causa dessa suposta discriminação, Viviane diz que pensa seriamente em mudar para outra cidade. Ela acredita que assim será possível arrumar emprego. “Enquanto as pessoas não descobrirem que sou mulher de um presidiário, acho que dá para ir tocando a vida”, comenta ela, que tem três filhos pequenos.

Nilda (nome fictício), 52 anos, também mulher de presidiário, sobrevive com os R$ 120,00 que recebe de dois programas sociais do governo federal. Com esse dinheiro alimenta os cinco filhos, enquanto o marido não deixa a prisão, onde cumpre pena por homicídio. Ela diz que ele está preso há sete anos e não sabe ao certo quando será solto.

Maria (nome fictício), 38 anos, também conhece muito bem as angústias por quais passam as mulheres de presidiários.

Segundo ela, o que mais dificulta é não conseguir emprego. Sem estudo, o que acaba sobrando são os serviços domésticos. Mas nesse caso o “currículo da vida” conta muito. Ter marido ou filho preso costuma atrapalhar bastante. “As pessoas pensam que somos todos bandidos”, reclama ela. “É por isso que o crime aumenta. Falta oportunidade para que se viva uma vida digna”, diz ela, que diz ter sido abandonada até pelos programas sociais. “Faz um tempão que não recebemos nem cestas básicas”, critica. “A gente come hoje e não sabe se vai ter o que comer amanhã.”

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