Talvez esse texto devesse ser acompanhado por uma marcha como trilha sonora. Duas seriam as opções: a nupcial ou a fúnebre. Isso porque, para muitos, o início e o final do casamento estão próximos. Atualmente, na televisão e nas revistas de celebridades o que se vê é uma enxurrada de casamentos glamurosos que terminam em espetáculo rapidamente.
A última pessoa famosa a entrar para o ranking das “descasadas” foi a apresentadora de programas televisivos Eliana. Deixando a popularidade de lado, o tema desta reportagem é o casamento de pessoas “comuns”. Na vida longe da televisão e do espetáculo, também as pessoas se casam e se separam.
Muitos são os motivos que levam um casal a juntar seus trapinhos e cedo, tarde ou nunca, vir a jogar a roupa do parceiro pela janela. Em Bauru, apenas no ano passado 2.046 pessoas trocaram alianças nos dois Cartórios de Registro Civil da cidade. Neste ano, 544 assinaram os papéis do casamento legal.
Em contrapartida, o Cartório Distribuidor do Fórum, órgão que regulamenta todas as separações amigáveis ou litigiosas, registrou 1.075 rupturas de união de casais em 2006 e 543 até a última semana. Destas, 388 foram divórcios. Mas por que as pessoas casam? Por que se separam? É inegável que atualmente as quebras das juras de amor eterno são mais freqüentes que há 50 anos. Realmente uma coisa tem muito a ver com a outra, ou seja, costumes e época.
Como explica o sociólogo Cláudio Bertolli Filho, o primeiro ponto para entender casamento e separação é compreender como os valores da sociedade se modificam através das décadas. O sociólogo coloca que, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, muito do que era considerado moralmente correto foi deixado de lado.
A guerra trouxe a insegurança e transformou a visão do homem, que começa a se individualizar. Bertolli salienta que aliada ao individualismo veio a autonomia das mulheres, que já não cuidam apenas da casa, passam a trabalhar fora. Os novos tempos quebram antigos silêncios dentro do casamento. “Os casais conversam e muitas crises que antes eram evitadas passam a aparecer. Compartilhar através do diálogo é difícil”, completa.
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Parceria e felicidade
Para o sociólogo Cláudio Bertolli Filho, assim como para a antropóloga e autora de livros como “De perto ninguém é normal”, Mirian Goldenberg, atualmente é comum a separação e um novo casamento em que as pessoas buscam a felicidade e uma parceria mais completa. Como resultado, o casamento deixou de ser aceito e mantido apenas por obrigações sociais ou por pressão familiar. Vive-se, então, um momento com mais liberdade para as escolhas individuais.
A despeito disso, Goldenberg afirma que a idéia de “casamento como uma instituição falida” está errada. “O sonho do casamento está muito presente, mesmo nas gerações mais jovens. O que está falido é o modelo de casamento ‘até que a morte nos separe’. E o que está cada vez mais forte é a idéia de ‘infinito enquanto dure’”, enfatiza a antropóloga.
Segundo Bertolli, existem mais fatores que determinam o início e o fim de um casamento. Se os filhos já tratam a separação com naturalidade, a pensão que eles demandam pode se tornar um problema. Em muitos casos, os casamentos e separações são inviabilizados pela questão financeira. “É por isso que casamentos coletivos têm tanta procura e muita gente opta por não ter filhos nas relações conjugais”, completa.