Nenhuma mudança é fácil. Justamente por envolver uma série de fatores, nem sempre quem muda consegue se adaptar à nova realidade. Essa resistência, no entanto, ocorre não só na vida particular dos indivíduos, mas também nos locais de trabalho. É o que aponta o consultor de recursos humanos Orivaldo Andreazza Peres, da Vivencial, consultoria sediada em São Paulo. Segundo ele, muitas empresas detectam problemas para se enquadrar nas exigências do mercado e nem sempre estão preparadas para se adequar e promover as alterações necessárias, a fim de tornarem-se mais ágeis e eficientes.
Para promover as mudanças sem trauma, diz ele, um dos caminhos é preparar os funcionários para a nova realidade, o que inclui a motivação. Mas como motivar funcionários que já estão adaptados à determinada filosofia? E o que fazer para quebrar as resistências internas? O primeiro passo, segundo Peres, é fazer um trabalho de desenvolvimento organizacional, que consiste em identificar o clima, o que as pessoas pensam da organização em que trabalham, onde as coisas vão bem, onde não vão, auxiliando, assim, na implementação das mudanças.
Para ele, que administra uma empresa de consultoria voltada para o desenvolvimento organizacional, a melhor forma de romper as barreiras e quebrar as resistências internas é fazer com que os funcionários, sejam eles líderes ou não, se conheçam e vivam na prática a experiência de atuar em grupo, visando um objetivo em comum.
Peres reconhece que o ser humano tem dificuldades em se adaptar ao novo. Ele cita como exemplo a compra de um sapato novo. Apesar de saberem que precisam comprá-lo, elas têm como referência o modelo velho, que já está moldado nos pés. O sapato novo, aponta Peres, machuca, aperta os dedos e faz a pessoa querer usar aquele que já tem mais de dez anos. “Tudo o que é novo traz desconforto para o ser humano”, compara.
Caça às bruxas
Segundo o consultor de RH, outra realidade comum em algumas empresas é manter a mentalidade de que “em time que está ganhando não se mexe”, ou seja, mesmo com as constantes flutuações do mercado, as organizações resistem a promover alterações em suas filosofias, porque não estão percebendo problemas.
Entretanto, a partir do momento que alguma falha acontece e as coisas começam a dar errado, essas empresas tendem a promover uma caça às bruxas, para descobrir eventuais culpados, ao invés de questionar se não está na hora de mudar a filosofia da empresa para se que ela se adapte ao mercado.
Peres destaca que esse tipo de caça às bruxas inibe os funcionários, que se ‘escondem’ para evitar as ‘flechadas’. Essa atitude da empresa também desmotiva os funcionários, cria problemas de insatisfação e estimula a formação de grupos de boicote dentro da organização, gerando mais dificuldades ainda e menos aceitação às mudanças. Além do que, afirma Peres, empresas que só decidem mudar depois de perder têm ainda mais dificuldade.
Estratégias
Para o consultor, o ideal é pensar estrategicamente, promovendo as mudanças gradativamente, para que o impacto seja menor e para que os colaboradores consigam se adaptar com mais facilidade à nova realidade da empresa. “Se você não mudar, vira um dinossauro”, afirma.
Em resumo, se o empresário não estiver antenado com o novo, e preparar as mudanças necessárias de acordo com a realidade, corre o risco de ver sua empresa desaparecer aos poucos. “Empresas que há dez anos atrás estavam na lista das 500 melhores da revista Fortune hoje não existem mais. Por outro lado, empresas que não figuravam na lista há dez anos, hoje estão lá”, salienta.
Uma das novas realidades apontadas por Peres é o pequeno número de empresas familiares, aquelas que o comando passava de pai para filho. De acordo com o consultor de RH, as poucas empresas desse tipo que ainda estão na ativa abriram seu capital para investidores externos, algo impensado antigamente. Ou seja, os modelos de gestão precisam ser revistos constantemente.
____________________
Treinamento vivencial
O treinamento vivencial é uma das ferramentas utilizadas na área de recursos humanos para treinar funcionários de empresas a estarem aptos a contextos de mudança. A base dessa ferramenta é a experiência do grupo, que uma vez conhecida pode preparar os indivíduos para se adaptarem às novas realidades.
“O adulto tem uma série de conceitos e pré-conceitos, e fica filtrando o que é passado para ele, daí a importância desse tipo de treinamento”, afirma o consultor de recursos humanos Orivaldo Andreazza Peres, proprietário da Vivencial, empresa especializada em gestão de pessoal que atende diversas instituições e tem em sua carteira clientes como Suchard e Philip Morris.
De acordo com Peres, os adultos absorvem apenas 20% do que é falado para eles. Se além da explicação verbal forem apresentadas imagens, esse índice passa para 50%. Quando o indivíduo ‘põe a mão na massa’, para viver aquilo que está sendo passado, a absorção é de 80%.
“No treinamento vivencial, o indivíduo vai executar uma série de exercícios que vai fazê-lo parar para pensar. Neste parar para pensar é que ele analisa o comportamento dele, o sentimento com relação ao aprendizado e se aquilo é importante ou não”, ressalta Peres, que ministrará um curso vivencial em Bauru no dia 25 de maio, segundo informações do site www.vivencial.com.