Caio (nome fictício) tem 12 anos, freqüenta matinalmente em seus dias úteis o colégio de sua cidade. Na maior parte do tempo está sozinho ou com um dos seus colegas de sala. Caio é mais um aluno de seu colégio. Quando volta para casa, conecta-se a um universo diferente, onde não é mais simplesmente Caio, mas sim Linus, um elfo mágico respeitado no universo alienado e fantástico do “World of Warcraft”.
A mãe de Caio usa eventualmente a Internet com uma finalidade não muito diferente. Bancária na vida real há 22 anos, “vive”, quando está navegando no mundo do “Second Life”, uma dançarina e bartender de uma boate; um desejo oculto que por razões morais Renata não pode usufruir em sua vida real.
Frutos da “neotecnologia” os jogos “World of Warcraft” e “Second Life”, mesmo tendo ambientes bem diferentes - um ilustra a mágica terra média e o outro um ambiente tecnicamente real - têm contextos muito parecidos.
Criando uma personagem - Avatar - cuja aparência é a sua escolha e livre para fazer o que quiser, sem remorso moral ou social, Caio e sua mãe buscam saciar seus desejos frustrados do dia-a-dia. Nesta atmosfera virtual estamos nos alienando da sociedade? Fugindo de nossos compromissos para refugiar-se a um lugar onde a vida o tempo e as necessidades são inexistentes? Ou estamos somente liberando nossas vontades profundas em um mundo onde não podemos ser literalmente punidos, assim acabando com as nossas maiores frustrações da vida real?
A verdade solar é que quase não conseguimos viver sem nossos prazeres carnais, assim como nos sonhos e na televisão estamos descobrindo meios novos e mais tecnológicos para mascará-los. O único problema seria uma inconveniente avatarização da nossa vida. Quando deixarmos realmente as nossas necessidades e obrigações de lado para viver uma vida inexistente onde tudo é possível, aí sim seria um problema.
Guilherme Viecili Rossi, estudante