Tribuna do Leitor

Questão de vida ou morte?


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O atual ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ao defender um plebiscito sobre a legalização do aborto, reabriu a discussão de uma das questões políticas e morais mais delicadas que o Brasil já enfrentou. Um verdadeiro tabu. Já não era sem tempo. Há estimativas afirmando que cerca de um milhão de abortos clandestinos são realizados a cada ano no Brasil. Os métodos são brutais, podendo causar danos - físicos e psicológicos - irreversíveis e até mesmo levar à morte. Vão desde a ingestão de medicamentos abortivos, como o Cytotec, até a introdução de pedaços de madeira e borracha no útero da mulher. Não é à toa que essa é a terceira causa de morte materna.

Para os que ainda não assumiram uma posição, duas perguntas se revezam: é correto “obrigar” uma mulher sem condições - financeiras ou psicológicas - dar à luz uma criança indesejada? E, por outro lado, é justo acabar dessa forma com uma vida? Tudo se torna ainda mais complicado a partir do momento em que ninguém chega a uma conclusão exata sobre quando realmente começa a vida. No momento da concepção? Ou somente quando o sistema neurológico é formado? Está claro que a liberação do aborto há muito deixou de ser uma questão apenas de ética e comportamento, mas também de saúde pública.

Marcella M. Siqueira, estudante

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