Tribuna do Leitor

Tristes lembranças!


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Com a notícia, na semana retrasada, do falecimento, em Presidente Prudente, da bauruense Julieta Petit, aos 86 anos, mãe da Marta, do Jaime e do Lúcio Petit da Silva, mortos na chamada “Guerrilha do Araguaia”, veio-nos à mente a triste lembrança do terrível regime militar (1964 a 1984).

A dor da perda de um filho é eterna. A dor dessa mãe foi triplicada, pois além de perder três filhos, ainda tiraram-lhe o sagrado direito de saber o destino dos filhos mortos.

Mãe, a causa da sua morte foi a angústia cívica, impaciente com este Brasil que, por um impiedoso regime, arrancou criminosamente de suas entranhas maternais os seus três jovens, queridos e idealistas filhos.

Mãe Julieta Petit da Silva, sofredora, combatente, doce, descanse em paz com seus amados filhos agora aconchegados ao seu belo e maternal coração bastante desgastado pelas fortes emoções.

Ocorreu-nos também, nesta semana, a triste lembrança do cantor e compositor, Geraldo Vandré, exilado durante 4 anos por causa de suas canções de cunho crítico-social. Vandré tornou-se uma espécie de mito da resistência à ditadura.

Quem não se lembra da sua música “Pra não dizer que não falei das flores”, 2º lugar no Festival Internacional da Canção Popular, em 1968”?

Muitos de nós nos lembramos bem daqueles tempos perigosos em que, com entusiasmo ou com medo, cantávamos com Geraldo Vandré: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”... Hoje, recordamos que, desde aqueles tempos conturbados, já observávamos que era preciso discernir bem o que cantávamos ; coisa que, talvez, nem o famoso compositor conseguira fazer.

Não há dúvida de que só aquele que sabe é que faz a hora e não se deixa atropelar pelos acontecimentos. Mas sabe-se também, e já se sabia então, que não é fácil e que, no entanto, é preciso discernir bem quem sabe, de verdade, a hora e quem apenas imagina saber e, por isso, faz a hora errada.

Somente Deus, realmente, faz, de verdade, a hora. Não só faz, como é o Senhor da hora. E o drama consiste em que suas horas quase nunca coincidem com as nossas.

Por isso, vemos acontecer as horas dos materialistas e dos militaristas e dos políticos. Vemos acontecer as horas da injustiça, da corrupção, do ódio e das vinganças, das guerras e da destruição.

Ah! Se nós, brasileiros, que nos dizemos cristãos, tivéssemos aprendido e feito a hora, não teria acontecido meio milênio de injustiças, de gritantes desigualdades, desempregos, de latifúndios, de miséria e de fome.

Quando será, Senhor, que aprenderemos que a tua hora é a hora da justiça e da fraternidade, da reconciliação e da paz? Quando será que resolveremos fazê-la?

Não nos esqueçamos: se nós que não portamos armas, cruzarmos os braços, estaremos convidando os que as afagam a descruzá-los!

Professor Gino Crês

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