Como pode ser bento um papa que logo no início do papado provoca um tremendo mal-estar com os muçulmanos ao lembrar uma citação contra o Islã feita no Séc.XIV? Se já era racista há quinhentos anos, hoje então a citação foi totalmente inapropriada. Como pode ser respeitada uma autoridade que chama de doentes aqueles que ousaram casar-se novamente? Sim, pois se o segundo casamento é uma praga ou uma chaga ou mesmo uma simples feridinha, então só podem ser doentes os que nele vivem! Como não ser possível casar-se novamente, como insistir num primeiro matrimônio quando o casal já perdeu o respeito e o amor recíprocos, como admitir-se no mesmo teto pessoas que agora se odeiam e fazem de seus filhos sacos de pancada dessa “sagrada” união?
Como dar mérito a quem condena o uso de preservativos insistindo - nos liberalíssimos dias de hoje - que a castidade e a abstinência são os únicos métodos admitidos para evitar-se a propagação da aids? E, mais ainda, punindo alguns poucos eclesiásticos pés-no-chão que conhecem o dia-a-dia de seus rebanhos e sabem que essa recomendação é inútil, além de irresponsável!
Como cinicamente escudar-se no Direito Canônico para preservar do público e da lei geral seus membros desajustados? Como defender cegamente uma igreja que, ainda que universal, teve e continua tendo muitos e muitos erros?
E, cá entre nós, Jesus Cristo não é propriedade de nenhuma religião e ninguém tem o monopólio das Suas palavras. Embora Pai, presume-se Pai severo e justo que não olha na cor, na roupa, no saldo bancário e muito menos na igreja que o filho freqüenta.
Fernando Marchini D. Silva