Auto Mercado

Dr. Automóvel: Cinto de segurança

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Devia ser automático: entrou no carro, coloque o cinto. Mas vejo que muita gente só o faz por obrigação e para não ser multado... Que pena! Não sei se é por teimosia, vontade de ser diferente ou mesmo burrice, pois todos sabem das enormes vantagens no uso do cinto em termos de segurança em caso de acidentes. Quantas mortes e incapacitações foram evitadas por estarem afivelados ao cinto de segurança! Mas como é que ele funciona?

Existem vários tipos de cintos, desde os mais simples até os mais sofisticados, cada um adequado a uma finalidade específica (já viram que quase tudo em um carro é adequado para alguma coisa, utilização ou propósito?). Os mais simples são os do tipo abdominal, como os usados em ônibus e aviões.

Os primeiros cintos automotivos eram exatamente assim, simples e com pouquíssima regulagem, apenas o comprimento de uma das cintas para ajustar o fecho. Quando se saía do carro, ele costumava ficar dependurado para fora da porta, raspando no chão... Ainda é comum vermos alguns fuscas velhos fazendo isso por aí!

Bem, estes cintos já eram de alguma utilidade, mas não ofereciam uma proteção adequada, pois em caso de uma batida forte o corpo era projetado para frente e, como estava amarrado na cintura pelo cinto, curvava-se e fazia com que a cabeça da vítima batesse no volante, no painel ou no parabrisa, com sérios danos físicos.

Para corrigir essa tendência, foi inventado o cinto de 3 pontos, que providenciava uma amarração cruzada pela altura do ombro, ligada ao abdominal tradicional. Esta conformação fazia com que o corpo ficasse firmemente preso ao banco, sendo que o cinto abdominal era responsável por evitar o escorregamento longitudinal para frente do corpo (chamado de efeito submarino) enquanto que o cinto transversal mantinha o tronco preso ao encosto, evitando que curvasse para frente.

É claro que este era um cinto muito mais seguro e eficiente do que o abdominal, mas ainda era do tipo fixo, sem regulagem e que, portanto limitava muito a movimentação do corpo sobre o banco. Era uma dificuldade abrir a porta do outro lado por dentro, ou ligar o rádio, por exemplo, enquanto “amarrado” ao banco.

Daí, surgirem outras versões deste cinto de 3 pontos com funções automáticas foi um passo, como os que permitem que a pessoa se mova com mais liberdade desde que faça movimentos leves. Estes são os chamados retráteis, que só travam quando o movimento é mais violento ou rápido, como em caso de colisões ou de uma forte puxada.

Outro tipo é o dos chamados inerciais, em que permitem um amplo movimento do corpo com o veículo parado ou em movimento constante, mas que, em caso de uma desaceleração brusca, um contrapeso se desloca e trava o cinto.

Os mais sofisticados são os cintos de 4 pontos (tem até de 5!), que prendem a cintura, pernas e cada um dos ombros, com fecho único central de desengate rápido. São mais usados em competições e carros muito esportivos. São extremamente eficientes e seguros e, aliados aos airbags, já salvaram muita gente. Permitem que a pessoa (na verdade, o piloto...) possa ficar firmemente preso ao banco tanto em curvas de alta velocidade quanto em casos de acidentes, deixando que a carroceria absorva o impacto e o proteja. Para soltar o cinto, basta um toque certeiro no botão central e pronto, pule vivo para fora para apreciar a paisagem.

Mas o mais importante para qualquer tipo de cinto é sua fixação ou ancoragem, como é chamado mais tecnicamente. Não adianta nada ter toda esta tecnologia se não estiver bem preso, e este ponto de ancoragem é muito bem calculado para agüentar os esforços gerados em uma colisão frontal, por exemplo.

Em caso de troca de cintos, mantenha sempre os pontos de ancoragem originais, nunca prenda o cinto nos bancos “só pra enganar o guarda”, pois os trilhos dos bancos não têm a ancoragem necessária. Um bom cinto segurará você e seu banco juntos.

____________________

Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

Comentários

Comentários