Regional

Mata nativa pode ter crescido em Itapuí

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Itapuí - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deu início, há cerca de duas semanas, ao censo agropecuário. Entre outros itens a serem pesquisados, o IBGE deve atualizar os dados sobre a situação das áreas de matas nativas no País, reflorestamento e agricultura. No entanto, informações extra-oficiais sugerem que entre os 14 municípios da regional da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Jaú, o município de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) tem maior área de vegetação natural recuperada.

De acordo com José André Miranda de Almeida Prado, da Cati de Jaú, a partir de julho deste ano deverá ser feito um levantamento de todas as propriedades rurais dos 14 municípios da área de ação do órgão onde um dos itens levantados será a vegetação nativa existente em cada cidade.

Prado explica que o município de Itapuí, alguns anos atrás, tinha uma deficiência maior na quantidade de vegetação nativa, se comparado a outros pertencentes à regional. “Quando foi feito alguns plantios lá, houve realmente uma diferença grande porque praticamente não tinha quase nada de vegetação e eles (Organização Não Governamental (ONG) Bica de Pedra) reflorestaram bastante”, reconhece.

Para o coordenador da ONG, José Vitor Ficcio, a área reflorestada em Itapuí teria dobrado de 24,9 hectares em 1998 para 48,25 hectares atualmente. O ambientalista diz ter documentos referentes às propriedades que comprovam o aumento da mata nativa no município.

Segundo Ficcio, desde 1998 até agora, a ONG ambiental já plantou mais de 64 mil mudas de árvores no município através de um projeto desenvolvido pela própria entidade com a ajuda de empresários locais e em parceria com as escolas. No total, segundo o ambientalista, a ONG teria reflorestado 23,35 hectares.

Prado ressalta que, em geral, em municípios que possuem solo mais arenosos - considerados mais pobres para o plantio e desenvolvimento da agricultura - as áreas de vegetação nativa são mais preservadas. Entre as cidades com presença de solo arenoso ele cita Brotas, Bocaina e Dois Córregos como exemplos.

No entanto, os municípios que possuem solos melhores para o plantio têm uma cobertura nativa menor. Ele aponta como exemplo Jaú, Barra Bonita, Igaraçu do Tietê, Itapuí, Bariri, Macatuba e Lençóis Paulista.

No caso de Brotas, dados de 1998 apontam que o município lidera o ranking das localidades que mantêm a maior área de vegetação natural remanescente, com cerca de 9.340,30 hectares. No entanto, ambientalistas lembram que a expansão da cana e o plantio de pinus e de frutas, como laranja e maracujá, podem ter diminuído a extensão da mata original tanto de Brotas quanto de outros municípios da região.

Por lei, o proprietário de terras está obrigado a manter apenas 20% da mata original em relação à área total da propriedade. Dessa forma, legalmente, nada impede que as áreas que ultrapassem esta porcentagem de área nativa possam ser devastadas até o limite de 20%.

Jaú

Prado disse não possuir dados concretos sobre a recuperação de áreas nativas no município de Jaú, mas acredita que tenha ocorrido uma pequena melhora. “Acredito que tenha ficado mais ou menos no mesmo patamar. Alguma área que possa ter sido suprimida pode ter sido compensada com alguns plantios. Acredito que não tenha diminuído a área, pode até ter tido um pequeno aumento”, comenta. Informações extra-oficiais dão conta de que Jaú teria recuperado entre 4 e 5 hectares desde 1998. Caso a informação seja confirmada, a área reflorestada em nove anos seria bem inferior à recuperada em Itapuí no mesmo período.

De acordo com Matilde Tabanez dos Santos, coordenadora do censo em Bauru, além da contagem da população em cidades com mais de 170 mil habitantes, o IBGE deu início ao censo agropecuário completo neste ano. Ela lembra que são dezenas de perguntas que deverão ser respondidas por proprietários de terras e que, no final, devem dar uma amostragem, entre outras coisas, sobre a situação do reflorestamento e da agricultura no País.

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