Dezesseis anos de palco. Mais de 750 apresentações, cerca de 700 artistas diferentes, sempre na mesma emissora. O “Bem Brasil”, da TV Cultura, que faz aniversário hoje com apresentação de Seu Jorge, às 19h30, tem muito o que celebrar.
“Acredito que a longevidade de um programa de música tem de ser comemorado. Desde 1991, nós investimos em qualidade, em trazer alguma coisa diferente para as pessoas. Acho que deu certo”, conta Wandi Doratiotto, o apresentador da atração. Apesar de não ser um fenômeno no Ibope - o programa registra média de 2 pontos -, o “Bem Brasil” tem o seu público fiel e também é respeitado pelos artistas, que sempre levam coisas diferentes dos seus repertórios habituais.
A atração começou em um anfiteatro da Universidade de São Paulo (USP) com a apresentação de Altamiro Carrilho e do grupo Isaias e seus Chorões. No início, era voltada apenas para o chorinho, ritmo que havia retornado à cena musical. “Com o tempo, a idéia de diversificar ficou mais forte e foi o que acabamos fazendo”, conta Doratiotto.
Da USP, o “Bem Brasil” foi para o Sesc Interlagos, onde permaneceu até 2005. Foi na Zona Sul, inclusive, que os maiores públicos foram registrados: o apresentador recorda da época da explosão do pagode, no meio dos anos 90, quando mais de 15 mil pessoas compareciam às gravações, como a do Só Pra Contrariar, de Alexandre Pires. Mas o rock foi quem levou o maior número de fãs: o show do grupo O Rappa teve mais de 25 mil espectadores, assim como o grupo Charlie Brown Jr. (com sua formação original).
Além dos maiores shows, as bandas de pop e rock são também os recordistas de participações: Ira! e Engenheiros do Hawaii fizeram nove apresentações cada um, seguidos de perto pelos mineiros do Skank, com oito. Mas não é só de cantores famosos que se faz um programa. A idéia é dar espaço também para os novos artistas, que não conseguem espaço na mídia.
“Lembro que a primeira vez que o Seu Jorge se apresentou, todo mundo perguntava ‘Quem?’. E ele volta como convidado especialíssimo, que tem o trabalho reconhecido no mundo todo. É muito gratificante”, conta o diretor Maurício Vallim.
Há dois anos no Sesc Pompéia, os planos para “os próximos 16 anos” são outros, conta o apresentador. Além de nomes consagrados - o sonho de consumo de Wandi Doratiotto, por exemplo, seriam apresentações de grandes cantoras como Maria Bethânia e Marisa Monte -, a meta agora é também investir em música instrumental. “Se os cantores de MPB já têm poucas opções na TV, imagine os músicos instrumentais. Queremos dar espaço para esse pessoal fantástico”, conta Doratiotto.