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Estudantes ocupam câmpus da Unesp

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - Alunos do câmpus de Marília da Universidade Estadual Paulista (Unesp) ocupam há quatro dias o prédio da administração da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) em protesto, entre outras coisas, à mudança do corpo docente. Os estudantes apresentaram uma extensa pauta de reivindicações que foram divididas em específicas e gerais. Eles prometem encerrar o movimento assim que houver garantias do cumprimento das reivindicações.

A ocupação começou na noite de segunda-feira com a ação de aproximadamente 100 alunos. Ontem, por conta do revezamento, havia 60 estudantes ocupando o saguão de entrada. Eles não impediram o acesso de funcionários, que decidiram entrar para o trabalho. O movimento, segundo um dos coordenadores, foi deflagrado porque há inúmeros alunos sendo prejudicados pela falta de professores. “Queremos a contratação de professores para os cursos de terapia ocupacional, fisioterapia e relações internacionais. O problema está sendo vivido desde o ano passado”, diz o estudante, que pediu para ter o nome preservado. Além da contratação de professores, os alunos querem o funcionamento do restaurante universitário. “O prédio está pronto, mas não tem funcionários e nem equipamentos. Sabemos que para aquisição é necessário licitação, porém, o câmpus não providencia”, reivindica.

Os estudantes querem um documento que garanta o cumprimento da solicitação. “Não queremos mais promessas. Queremos um documento que dê prazo para cumprir (as reivindicações). Queremos a abertura imediata da licitação.”

Outro pedido dos alunos é a dispensa do pedido para uso de salas e do anfiteatro da universidade. “Queremos a abertura do câmpus nos finais de semana e a dispensa da autorização de um professor para o uso de salas e anfiteatro”, acrescenta o coordenador do movimento.

Na pauta geral dos estudantes está o apoio deles aos colegas dos câmpus da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Eles protestam contra o decreto do governador José Serra (PSDB), que viola a isonomia das universidades públicas estaduais. “Essa ocupação está em consonância com os câmpus da USP, Unicamp e espera a adesão da Unesp de Bauru, Franca. São Carlos e São Manuel”, afirmam os universitários.

Ontem pela manhã a vice-diretora do câmpus de Marília, professora Maria Cândida Del Masso, tentou negociar com os estudantes, mas não teve êxito. “Ela quer jogar os alunos bolsistas contra o movimento. O departamento financeiro não pagou os bolsistas alegando que não podem trabalhar. Nós não ocupamos as salas, eles é que decidiram não entrar”, dizem os alunos.

Reitoria só negocia após protesto

A reitoria da Unesp, em São Paulo, se reuniu ontem para discutir a situação em Marília. Em nota oficial divulgada após o encontro, a direção da universidade minimiza o protesto, afirmando que os ocupantes eram apenas 20 de um total de 1.900 alunos da Faculdade de Filosofia e Ciências. O texto também afirma que o movimento não é apoiado pela maioria dos alunos.

A nota ainda reafirma a autonomia da Unesp: “A universidade continua no pleno exercício de sua autonomia didático-científica e de gestão orçamentária, financeira e patrimonial (...) inclusive com a execução de movimentações financeiras por meio de conta bancária própria e de remanejamento de recursos entre grupos de despesa de sua dotação orçamentária”, diz o texto.

“Diferentemente do que tem sido afirmado por manifestantes e por grande parte da imprensa, não há nenhum decreto que estabeleça a subordinação prévia ao governo do Estado do remanejamento de itens de despesa de nossa dotação orçamentária”, completa.

Segundo a nota, a reitoria da Unesp só discutirá outras reivindicações do grupo de alunos que invadiu a FFC em reunião que será agendada após a completa desocupação do edifício da diretoria. (Gustavo Cândido)

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