Dois homens e duas mulheres, entre elas uma estudante do 3.º ano de direito, foram presos ontem pela manhã em Bauru acusados de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Na casa deles, policiais civis encontraram 715 gramas de cocaína e 390 gramas de crack, além de uma balança de precisão.
A prisão foi resultado da ação da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise), com apoio do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) de Bauru. Eles são acusados de atuar na região do Núcleo Geisel. Um outro homem, acusado de comandar o grupo, já estava preso.
Dos quatro detidos ontem, três tiveram prisão temporária decretada: uma mulher, I.R.B, de 27 anos, a estudante L.S.C, de 21 anos, e o rapaz W.A.S., 26 anos. Os nomes completos não foram divulgados pela polícia porque as investigações continuarão.
O último acusado de integrar quadrilha, Ricardino Paulino da Silva, 46 anos, foi preso em flagrante, pois parte da droga foi encontrada em sua residência, no Geisel. A investigação começou há cerca de 40 dias. Logo no início, os policiais civis descobriram que um detento que está preso em um penitenciária da região estaria recebendo ajuda de sua companheira, I.R.B. e da estudante de direito para chefiar o tráfico de drogas. As duas mulheres, segundo a polícia, trocavam informações com o preso através de cartas e visitas pessoais. Elas ficavam responsáveis pela organização administrativa da quadrilha, de acordo com a polícia. Ontem, por volta das 6h30, com mandado de busca e apreensão, os policiais civis foram até a residência dos acusados e encontraram a droga e vários outros objetos que comprovariam a associação à quadrilha.
Anotações
Foram apreendidos cartas em que as mulheres se comunicavam com o preso, comprovante de depósito bancário, anotações de contabilidade, um rádio comunicador, celulares e um livro sobre a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), entre outros objetos.
W.A.S. seria o responsável pela cobrança e distribuição da droga. Em sua casa, os policiais encontraram 160 gramas de crack. A polícia também encontrou entorpecente na casa de Silva, cerca de 230 gramas de crack. A estudante de direito morava com os pais em um bairro de classe média de Bauru. “A família ficou assustada e inconformada com a atitude dela”, declarou a delegada titular da Dise, Rejane Borro Tiritan.
“Os objetos apreendidos e a droga confirmam nossas investigações. Fechamos o cerco e toda a quadrilha foi presa”, explica a delegada. A polícia investiga o envolvimento dos acusados com a facção criminosa PCC. Pelas investigações, a polícia acredita que os traficantes adquiriam a droga em grande quantidade e repassavam-na para pequenos traficantes de Bauru e região.
Pelo crime de tráfico de drogas, os acusados podem pegar de 5 a 15 anos de prisão. Já pela associação ao tráfico, a pena é de 3 a 10 anos de prisão. As duas mulheres foram encaminhadas para a Cadeia Pública de Cabrália Paulista. Os homens foram para Avaí.
No começo do mês, conforme divulgou o Jornal da Cidade, quatro pessoas também foram presas, no Jardim Eldorado 2, acusadas de tráfico de drogas e outras três foram detidas provisoriamente. Com eles, foram encontrados 1,2 quilo de crack.
Semelhança
Em março deste ano, uma estudante de direito, também de 21 anos, foi presa em Campinas, acusada de liderar uma quadrilha de traficantes. A estudante, filha adotiva do dono de uma construtora e que morava num prédio de alto padrão, comandou roubos a residências de classe alta e lotéricas.
Ela foi detida com um rapaz, de 25 anos que já tinha passagem pela polícia por furtos. Com eles foram apreendidos vários aparelhos eletrônicos, celulares e até um faqueiro italiano, roubados.