O furto no interior de escolas de Bauru e região é o principal gerador de ocorrências atendidas pela Ronda Escolar nas 19 cidades sob responsabilidade do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI). Balanço divulgado pela PM revela que, de janeiro de 2005 até abril deste ano, foram 72 registros do gênero contra apenas um roubo e nenhum homicídio – são considerados apenas acontecimentos no interior das instituições (veja quadro ao lado).
A polícia não pôde precisar se os furtos ocorreram ou não durante o horário de aula. Principalmente quando os alvos são pequenos objetos (como torneiras, por exemplo), cuja subtração demora certo tempo para ser detectada pela direção das instituições.
A hipótese de que os furtos ocorram durante o horário das aulas não é refutada. No entanto, de acordo com o capitão Ézio Carlos Vieira de Melo, comandante da 6.ª Companhia da PM e especialista no programa Ronda Escolar, a polícia é solicitada de forma “tardia”, já que no caso de crimes fora do horário de expediente, apenas vigias se encontram nas instalações. “Não existe regra geral para ocorrências desse tipo. Muitas podem ocorrer durante a madrugada, sem que ninguém tenha visto. Com isso o policiamento é solicitado apenas na manhã do outro dia”, explica.
A reportagem do JC apurou que uma escola estadual do Núcleo Geisel possui sistema de monitoramento com câmeras para inibir os furtos há pelos menos dois anos. Elas focalizam tanto áreas externas quanto internas. No entanto, mesmo durante esse período, a escola foi arrombada e materiais de pintura teriam sido subtraídos. Diretores de três instituições estaduais foram contatados, mas nenhum concedeu entrevista afirmando cumprir normas da Diretoria de Ensino.
Na média
Apesar de possuir efetivo de 36 policiais, distribuídos em nove viaturas, para patrulhar 151 escolas da cidade (entre instituições públicas e particulares), o número de ocorrências segue estável em Bauru (veja quadro acima).
Segundo o major Nelson Garcia Filho, subcomandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), isso se deve ao foco da polícia no combate à causa das ocorrências. “Mensalmente elaboramos um plano específico de policiamento. Identificamos os piores problemas, os atacamos fortemente e obtemos resultados, que reduzem em 80% o total de crimes naquela escola ou região”, explica.
A Ronda Escolar foi criada em 1988 para fazer o policiamento em escolas. De acordo com Garcia, treinados especificamente para atender ocorrências ligadas a instituições de ensino, esses policiais também desenvolvem trabalhos de conscientização com os alunos dos colégios onde fazem ronda (palestras, teatros, etc.).
Apenas cidades com população acima de 15 mil habitantes possuem efetivo específico para Ronda Escolar. Nas demais, ela é executada pelo policiamento comum. Em Bauru, cada viatura é responsável pela segurança de, no mínimo, oito colégios. “Eles necessariamente são obrigados a visitar, no mínimo uma vez por semana, todas as escolas das quais são responsáveis”, revela Garcia.
Segundo major Garcia e capitão Ézio, os policiais da Ronda Escolar se tornam espécies de ícones para as crianças, que demonstram o apreço de diversas formas, até mesmo com cartinhas, ao estilo daquelas enviadas por fãs a artistas de televisão. “Pela postura e atitude, muitas vezes ele acaba sendo tomado como exemplo por meninos sem pais, por exemplo”, diz o major. “Além de acabar reduzindo a criminalidade na escola, o policial ajuda na formação do caráter, dando condição para essas crianças galgarem condição melhor no futuro”, completa.