Internacional

Briga verbal marca eleição espanhola

Raul Juste Lores - Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Madri - As eleições municipais de hoje na Espanha são tratadas pelos principais partidos como uma batalha do fim do mundo. “Votar nos socialistas é fortalecer o ETA”, atacou o líder da oposição, o conservador Mariano Rajoy. “Que azar da Espanha ter uma direita tão retrógrada”, retrucou o primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero. “Votar pela esquerda é votar pela convivência.”

Nos últimos três anos, o grau de gritaria e absoluta falta de consenso em qualquer assunto domina a vida política espanhola. Tanto que, segundo pesquisa recente, a “crispação política” tornou-se um dos principais problemas do país, junto com o terrorismo, desemprego, imigração ilegal e drogas. Tal irritação contrasta com a transição democrática espanhola. Após o fim da ditadura, em 1975, sob a autoridade do rei Juan Carlos I, de herdeiros do franquismo a comunistas chegaram a diversos consensos, os Pactos de Moncloa, e deixaram para trás a violência da Guerra Civil (1936-1939) e da ditadura franquista (1939-1975). Até uma tentativa de golpe foi debelada sem tiros.

Nas últimas décadas, a esquerda aceitou e promoveu a abertura econômica e as privatizações, enquanto a direita nem ousou reduzir o sistema de bem-estar social aperfeiçoado sob os socialistas. Hoje, apesar de não se discutir mais a economia nem os gastos sociais do país, a convivência desandou.

Discute-se por tudo e com ataques pesados de lado a lado. O ex-premiê direitista José María Aznar acusou Zapatero de estar levando o país a “um clima de guerra civil, que tivemos há 70 anos”. Na polarização da política espanhola, os dois lados não deixam de provocar mais crispação.

“Zapatero busca a lembrança sectária da Guerra Civil, já quebrou o consenso constitucional ao pactuar com nacionalistas e radicais e rompeu o acordo antiterrorista ao negociar com o ETA”, disse o porta-voz do oposicionista Partido Popular no Congresso, deputado Miguel Ángel Cortés.

O terrorismo é um dos temas das eleições, em que as questões municipais ficaram em segundo plano. Zapatero passou parte de 2006 prometendo o fim do ETA, que declarou cessar-fogo em março do ano passado. O governo começou a negociar com o ETA, atitude criticada pelos conservadores, que defende o combate aos terroristas. Não deu certo. Um atentado no aeroporto madrileno de Barajas em dezembro matou dois equatorianos e jogou pelos ares a trégua. Segundo a oposição, o governo foi ingênuo e desinformado no trato com os terroristas.

Em janeiro, a popularidade de Zapatero caiu a 40%, a menor em três anos de governo. “Zapatero é um provocador, abriu várias frentes de batalha em um só mandato, e acredita que está fazendo o bem”, diz a socióloga Josefina Elías. Eleitora de Zapatero, ela acusa os conservadores pelo confronto constante. “Eles nunca assimilaram a derrota em 2004, por terem manipulado informação após os atentados em Madri”, acusa. Quanto às eleições, Madri e Valência devem continuar nas mãos dos conservadores, e Barcelona e Sevilha com a esquerda. Pouco deve mudar em meio ao bate-boca.

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