Em decisão já especulada há muito tempo no meio político local, o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, José Clemente Rezende, deixou ontem oficialmente o PDT alegando querer evitar eventuais conflitos futuros com a direção estadual do partido, que nunca digeriu bem a saída do prefeito Tuga Angerami - um de seus principais aliados políticos - da legenda. Com sua saída, aumentam as especulações sobre o futuro partidário de um dos possíveis pré-candidatos à prefeitura em 2008, que já revelou manter conversas com o DEM, conforme antecipou o JC com exclusividade no último sábado, PMDB e PSB. A decisão foi comunicada, ontem à tarde, por um assessor de Rezende ao presidente do diretório municipal do PDT, o vereador Antonio Faria Neto, que aceitou e encarou com naturalidade a saída do líder da autarquia. “Ele agradeceu a forma como sempre foi tratado no partido e comunicou a desfiliação, que era algo normal e natural em razão do prefeito ter saído”, salientou o parlamentar.
Já Rezende, além de destacar o bom relacionamento mantido com Faria Neto, explicou que resolveu deixar o PDT para não criar problemas ou constrangimentos à direção estadual do partido. “A direção estadual do partido ficou magoada com a saída do Tuga e eles sabem que sou amigo dele. Minha amizade com o prefeito está acima de qualquer questão política e essa aproximação e amizade me preocupa com relação ao comando estadual, pois não me sinto seguro. Entendo que assim não causarei nenhum contratempo ou constrangimento posterior e deixo as pessoas ficarem à vontade para tomar suas posições”, enfatizou o presidente do DAE.
O agora ex-pedetista não adiantou para qual novo partido deverá filiar-se, mas deu pistas que atualmente seu futuro poderá estar entre três legendas: DEM, PMDB e PSB. “Tenho mantido contatos com vários líderes partidários e conversamos muito sobre questões políticas, mas nada ainda de forma definitiva. Já conversei com o Alex Gasparini (vereador e presidente do diretório do PMDB na cidade), já almocei com o Dudu Ranieri (presidente do diretório do DEM) e, no último sábado, fui no PSB (que comemorou 60 anos de fundação no partido) e fiquei das 10h às 17h com eles”, ressaltou Rezende. E acrescentou:
“Contatei outros dois ou três partidos, mas como eles não se manifestaram não direi quais são. Mas, por enquanto, é só conversa e o que estamos discutindo é a formação de um grupo que tenha condições de disputar em igualdade as eleições municipais de 2008 e que cumpra o plano de governo estabelecido durante a campanha. Estamos discutindo isso por enquanto, e não nomes, mas sim um plano de governo para Bauru.” Rezende também não descartou que outros integrantes da administração municipal possam seguir seus passos. “Tenho bom relacionamento dentro da administração e é lógico e natural que algumas pessoas queiram estar juntas. Então, é provável que, se tiver alguma pessoa filiada em outro partido e depois no futuro esteja filiado em um partido e essas pessoas queiram vir juntas, é algo natural”, sustentou. Por fim, o presidente do DAE opinou que Tuga Angerami não deveria manter-se desfiliado de partidos, intenção que o chefe do Executivo já anunciou ao alegar que não será candidato à reeleição, possibilidade que ainda muitos não acreditam. “Converso bastante com ele e o Tuga acompanha toda nossa movimentação passo a passo. E ele não tem se manifestado por enquanto com relação a filiação partidária, mas entendo que seria normal se ele se filiasse a algum partido. Ele é um político e não deveria ficar de fora de filiações partidárias, o que acho que seria natural e normal se fizesse”, concluiu.
Mas o próprio Tuga tem afirmado que sua filiação iria alimentar especulação sobre sua presença nas eleições de 2008 e, pior que isso, conturbar as relações políticas de sua administração até o final do mandato. Já a definição sobre para onde irá Clemente deve ser balizada por pelo menos uma questão crucial: segurança. Entre os três grupos políticos mencionados, o presidente do DAE terá de avaliar alguns fatores, por exemplo, entre a estrutura e os espinhos que o PSB tenta digerir, internamente, o riscos do domínio dos caciques estaduais sobre o DEM (ex-PFL) e as divisões conhecidas no interior do PMDB.