Brasília - A operação de blindagem política do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou a ser executada no sábado, em reunião com seus principais aliados na sua própria casa. Ao lado do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), Renan definiu a estratégia que mobilizaria não apenas as principais lideranças da Casa para prestigiar o discurso que faria no plenário, ontem, mas todos os outros senadores.
A idéia era mostrar que a instituição estava solidária e fechada em favor do presidente do Senado. Por essa razão, Renan ligou pessoalmente para todos os senadores já a partir de sábado pedindo suas presenças.
Até mesmo o “grand finale” da blindagem foi definida nessas conversas. Ontem, no final do pronunciamento, Jucá pediu que Renan suspendesse a sessão para que todos os senadores pudessem cumprimentá-lo. Sem qualquer constrangimento, Renan atendeu o pedido de Jucá e foi receber os abraços solidários dos companheiros de Casa.
Desde cedo, o plenário do Senado estava lotado de aliados de todos os partidos, para prestar solidariedade a Renan e garantir sua estabilidade política no comando da Presidência da Casa. Numa cena rara, o plenário do Senado ficou lotado numa segunda-feira sem votação.
Com um discurso de menos de meia hora de duração e de tom emotivo, Renan foi considerado convincente na sua fala pelos senadores e deputados presentes (leia mais nesta página). A única ressalva feita é que não podem surgir fatos novos. Fora disso, acreditam que não haverá conseqüências contra Renan. “Ele foi rápido, convincente, exibiu documentos e continua a merecer minha confiança”, afirmou o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). “Vou analisar ainda os documentos, mas ele continua tendo minha confiança”, disse. No mesmo tom, a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), destacou que Renan foi muito ágil em sua resposta e eficiente na apresentação dos documentos. “Acho que temos uma situação de estabilidade no Senado”, concluiu Ideli que entende que o assunto não será levado adiante, a menos que surjam fatos novos. “O discurso foi bom, conciso e tocou nos pontos fundamentais”, acrescentou o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).
Previsto para começar às 16h, o discurso de Renan já tinha platéia vip pelo menos uma hora antes, quando os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), por exemplo, já estavam no plenário esperando pelo pronunciamento. Logo depois, chegou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que é senador licenciado e cuja indicação para a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi bancada por Renan. O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), também acompanhou todo o discurso.
Amigos antigos, como os deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Albano Franco (PSDB-SE), e representantes do governo, como o líder na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), fizeram questão de prestigiar Renan.
Até mesmo parlamentares que foram investigados pela CPI do Orçamento, em 1992, estiveram no plenário. Foi o caso do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), cassado em 1993 por conta daquela investigação, e do deputado Mauro Benevides (PMDB-CE), que prestou depoimento à CPI, mas foi inocentado de qualquer irregularidade, embora seu filho Carlos Benevides (PMDB-CE) tenha sido cassado.
Depois da sessão, a romaria de cumprimentos continuou no gabinete da Presidência do Senado, mostrando que a situação de Renan entre os senadores ainda é sólida. Antônio Carlos Magalhães foi conversar com o senador depois da sessão, bem como o senador Fernando Collor (PTB-AL). “Ele foi convincente. Acho que está no caminho correto”, disse o ex-presidente, na saída do gabinete.