Inverso: voltado de cima para baixo ou de trás para diante. O substantivo foi escolhido pelo professor de educação corporal Luciano Groto para nomear o grupo de teatro formado por alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru. “A intenção do nome é mostrar às pessoas o inverso do que elas pensam sobre eles”.
E o que as pessoas pensam? Um exemplo é o termo adotado por muitas delas, “deficiente”, para classificar os indivíduos que apresentam uma imperfeição física ou mental. Oposto ao adjetivo “eficiente”, “deficiente” significa não ser capaz; algo que os 15 integrantes da Oficina Inverso não são.
Se alguém duvida, o professor faz um convite para assistir ao musical “Raízes do Meu Brasil”, apresentado nesta tarde, a partir das 14h, no Teatro Municipal. Além da instituição de Bauru, que também está representada na categoria artes musicais, com o espetáculo “Meu Canto”, mais sete Apaes (de Macatuba, Jaú, Lençóis Paulista, Dois Córregos, Pederneiras, Arealva e Iacanga) mostram as habilidades artísticas de seus alunos no 11.º Festival Regional Nossa Arte.
Fora as atividades de palco, divididas em Artes Cênicas, Dança, Dança Folclórica e Artes Musicais, os alunos das instituições competem nas categorias Artes Visuais, Literatura e Artesanato, que serão julgadas hoje, das 13h às 14h. Os vencedores da fase regional serão classificados para a etapa estadual, realizada nos dias 14 e 15 de junho em Cravinhos. A grande final nacional será em agosto no Beto Carrero World. Para Groto, o caráter do festival poderia não ser competitivo, “assim como a vida”, mas o professor acredita que a competição exige mais dos participantes. “O competitivo valoriza mais o trabalho”, diz. Mas as eventuais perdas são trabalhadas com os alunos, garante o professor. “Nós ficamos ansiosos, mas viver a competição vai de cada um”, coloca.
Apae Bauru
A Apae de Bauru foi criada no dia 25 de janeiro de 1965, da união de alguns pais e amigos desejosos de encontrar uma solução para seus problemas. Ela surgiu da união daqueles que se davam por amor à causa dos portadores de deficiência mentais.
Atualmente, a Apae atende cerca de 500 alunos com sede própria, com subsídios de promoções realizadas pela diretoria, juntamente com a comunidade, e por meio de convênios com as secretarias municipais de Saúde, Educação e Bem-Estar Social.
Hoje, a Apae de Bauru é considerada centro de referencia estadual pelo atendimento especializado de excelência, que assessora técnica e pedagogicamente instituições co-irmãs, com o objetivo de contribuir para a melhoria da qualidade de vida e a inclusão social das pessoas portadores de deficiência mental, múltipla e física.
A Apae fica localizada na rua Rodrigo Romeiro, 247. Mais informações pelo telefone: (14) 3236-1100 ou pelo site: www.bau ru.apaesaopaulo.org.br
Serviço
11.º Festival Regional Nossa Arte será realizado hoje, a partir das 13h, no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas 8-9). A entrada é gratuita. Mais informações: (14) 3235-1072.
- - -
Oficina Inverso
“Quando você realiza um trabalho de arte, é possível despertar no aluno a sua potencialidade, o seu talento, e isso será mostrado às pessoas durante o festival”, afirma o coordenador do grupo de teatro Oficina Inverso, Luciano Groto, responsável pela montagem de “Raízes do Meu Brasil” ao lado do professor de música Éder Ricardo.
O bom desempenho do grupo em outras edições do Festival Nossa Arte – realizado a cada dois anos – deixa Groto confiante. “Nós competimos desde 97 e temos uma coleção de troféus!”, conta. Em 2002, o grupo foi vice-campeão da etapa nacional com o espetáculo “É Assim Que Somos”.
Prova da qualidade artística da Oficina Inverso são os constantes convites para participar de eventos gerais. “Eu trabalho com o grupo há dez anos e é nítida a evolução. Hoje, eles são convidados para abrir congressos, fóruns. É um sinal de reconhecimento”, diz Groto. Atualmente, a Oficina Inverso recebe o patrocínio oficial da Rede Confiança de Supermercados.
O progresso no quadro clínico dos alunos também é algo notório. “Muitos que passaram pelo teatro, hoje estão no mercado de trabalho porque, por meio do trabalho, venceram obstáculos”, acredita. (AF)