Em uma reunião realizada ontem à noite na Unesp, um grupo de alunos da universidade avaliou a participação na marcha que, na última quinta-feira, reuniu milhares de estudantes das universidades públicas paulistas que pretendiam protestar diante do Palácio dos Bandeirantes, na Capital.
Cerca de 150 pessoas saíram de Bauru para a manifestação que acabou reprimida com violência por policiais militares (PM) na altura da rua Francisco Morato. A intenção de dialogar com o governador José Serra através de uma comissão de alunos não foi bem-sucedida.
“É muito triste ver uma classe que está pensando ser barrada por uma tropa de choque como se todo mundo fosse bandido, com cacetete e gás de pimenta mesmo sem ter havido provocação dos alunos. Infelizmente, a gente não conseguiu avançar na questão política porque o governo e a imprensa (nacional) ficaram se prendendo ao tumulto e não se falou nos decretos. Nós estávamos lá com contra-propostas. Estamos estudando os decretos, nos preparando para uma discussão e isso não está sendo explorado”, lamenta o estudante Reinaldo Turollo Junior.
Mas eles não acreditam ter perdido a viagem, apesar da truculência da PM. “Não estamos num momento de desmobilização”, afirma Turollo, lembrando que alunos de mais faculdades devem se juntar ao movimento ainda nesta semana.
Para a estudante Juliane Cintra de Oliveira, aluna do terceiro ano de jornalismo, o ato em São Paulo marca o ressurgimento do movimento estudantil no Estado. “A gente deve considerar a mobilização e a união dos estudantes”, afirma. Para Enio Lourenço Leite da Silva, aluno do primeiro ano de jornalismo que esteve no Palácio dos Bandeirantes e não foi atendido pelo governador, a marcha foi positiva. “Foi um ato que talvez venha a motivar outros e fortalecer o movimento”.