Internacional

Abbas teme guerra civil palestina

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Gaza - Facções palestinas rivais voltaram a se enfrentar na Faixa de Gaza ontem , quando é celebrado o aniversário de 40 anos da Guerra dos Seis Dias com Israel - que os palestinos classificam como “o retrocesso”. Os confrontos ocorreram perto da passagem comercial de Karni, que dá acesso a Israel, e foram os mais graves choques entre as facções em mais de duas semanas.

A renovação da luta entre as facções ameaça a estabilidade do governo palestino. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou ontem que os palestinos estão à beira de uma guerra civil, e que o atual governo de coalizão palestino é a “última oportunidade” para se salvar dessa catástrofe. Para Abbas, a crise interna é “mais perigosa” do que a ocupação israelense em Gaza e na Cisjordânia, conquistadas na Guerra dos Seis Dias.

Um oficial da Guarda Presidencial de Abbas disse que vários membros do movimento islâmico Hamas tentaram se infiltrar em uma posição da guarda em Karni, deixando ao menos um ferido. Abbas é líder do movimento nacionalista Fatah, que, assim como o Hamas, possui braços armados e políticos. O oficial acrescentou que os homens do Hamas foram expulsos do local depois de quase três horas de luta armada com a Guarda Presidencial, que é dominada pelo Fatah e leal a Abbas.

O Hamas, que lidera o Parlamento palestino e divide o poder no governo de coalizão com o Fatah, confirmou os confrontos mas acusou a Guarda Presidencial de iniciar o tiroteio. Mais tarde, porém, um porta-voz do braço armado do grupo islâmico negou que seus membros tenham tentado se infiltrar no grupo rival em Karni.

Outra fonte do Hamas afirmou que membros grupo foram até a passagem para monitorar forças israelenses na fronteira com Gaza e que, chegando lá, foram recebidos a tiros.

Recentemente, o governo dos Estados Unidos aprovou um programa de segurança de US$ 59,4 milhões que inclui US$ 43,4 milhões para transformar e fortalecer a guarda de Abbas. O plano prevê o fornecimento de equipamento não letal e treinamento.

Os EUA e Israel afirmam que o Hamas recebem fundos e armas do Irã e de outros aliados islâmicos. O confronto de ontem foi o mais sério desde o último cessar-fogo entre o Hamas e o Fatah, há duas semanas, depois de uma onda de luta entre as facções que deixou cerca de 50 palestinos mortos.

Comentários

Comentários