As oficinas de desmanche perderam espaço no mundo do crime em Bauru. De acordo com a polícia, os estabelecimentos deixaram de ser os principais pontos de receptação de carros e acessórios furtados. Segundo as investigações, as borracharias e casas especializadas em som e outros materiais automotivos passaram a ser os novos destinos desses produtos.
O delegado seccional de Bauru, Donisete José Pinezi, afirma que essa mudança ocorreu por motivos de estratégia das quadrilhas responsáveis pelo crime. “Os desmanches não querem mais o veículo furtado, nem as peças que identifiquem esses carros, por conta da intensa fiscalização que estamos fazendo desde o ano passado nesses locais”, acrescenta.
Para coibir esse tipo de crime, a Polícia Civil, em conjunto com a Militar, incluiu as borracharias em suas ações de fiscalização, que desde março do ano passado restringia as averiguações às oficinas mecânicas e aos estabelecimentos de desmanche. Além disso, será elaborada uma portaria determinando que os estabelecimentos apontados como novos locais de receptação prestem contas à polícia sobre a procedência das mercadorias que vendem.
“Através dessa portaria, as borracharias e as casas de som (de veículos) que comercializam rodas, aparelhos de som e outros acessórios, terão de apresentar um livro próprio onde deve constar de quem as mercadorias foram compradas e para quem foram vendidas. Dessa forma, teremos um controle mais rígido”, explica Marcelo Haddad, delegado titular do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra).
Para Édna Pessôa, gerente de um centro automotivo em Bauru, a portaria favorece as empresas que trabalham na legalidade e, principalmente, o consumidor. “A partir do momento em que a loja vende uma mercadoria com procedência, não tem o que temer. A fiscalização da polícia é uma medida que ajuda o comércio legal, aqueles que trabalham corretamente. Quem compra também é beneficiado”, opina.
Conforme dados da Delegacia Seccional de Bauru, o número de furtos de veículos registrados em maio deste ano cresceu 115,7% sobre abril. O índice saltou de 19 ocorrências para 41. De acordo com o delegado Pinezi, os carros populares e antigos, como Gol, Passat e Brasília, têm sido as preferências dos ladrões.
Por outro lado, o êxito da polícia em recuperar esses veículos também aumentou. Conforme Pinezi, as quadrilhas não estão mais furtando os carros para desmanche, embora algumas ainda adotem essa prática. O objetivo, no momento, é furtar apenas os acessórios. Dessa forma, o veículo é abandonado depois que a ação é concluída.
“São levadas rodas, macaco, som, bancos, para depois serem vendidos em borracharias e lojas especializadas em acessórios”, completa o delegado.
Apesar do crescimento dos registros de furtos de veículos no município, Pinezi afirma que Bauru tem o menor índice do Estado nessa modalidade de crime. Ele destaca que, desde março de 2006, quando assumiu o comando seccional em Bauru, as investigações nas oficinas de desmanche, visando combater e diminuir as quadrilhas responsáveis pelo crime, foram intensificadas. Atualmente, a Operação Desmanche realiza cerca de 15 fiscalizações por mês na cidade.
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Cuidados
A ação dos bandidos especializados em furtar veículos tem de começar a ser dificultada pela própria população. O major Nélson Garcia, do 4.º Batalhão da Polícia Militar, diz que os motoristas podem contribuir muito para isso, tomando algumas medidas preventivas. É o caso, por exemplo, de evitar estacionamentos sem segurança e ruas escuras e sem movimento. “Esses locais ermos não devem ser procurados. Eles são estratégicos para os ladrões”, acrescenta.
Garcia recomenda às pessoas que não têm alarme ou outros recursos contra roubo em seus carros, a optar pelo improviso. “Uma alternativa barata e eficaz é envolver a direção do carro com corrente e cadeado. Medidas como essa dificultam a ação dos marginais”, completa.
De acordo com o major, as quadrilhas que estão furtando carros em Bauru para levar os acessórios também atuam na região.