O chamado Internet banking, os bancos online, chegou ao seu limite no ano passado no Brasil. Pela primeira vez, o número de clientes que fazem transações pela Internet cresceu apenas 3,8% e atingiu no ano passado 27,8 milhões de clientes - maior do que o próprio número de usuários da rede, estimado em 25 milhões pelo Ibope NetRatings.
Desde 2003, os bancos online vinham crescendo a um ritmo médio de 50% ao ano. A estagnação dos bancos online, no entanto, chega a ser comemorada pela indústria bancária. Segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), os clientes dos bancos com acesso à Internet já não têm mais restrições, como de segurança nas transações pela web.
“O número surpreendeu a todos. Mostra que estamos atingindo o limite de uso da Internet. Para incrementar as operações online, vamos precisar aumentar o uso da Internet na sociedade”, diz Carlos Eduardo Corrêa da Fonseca, diretor de tecnologia da Febraban.
As operações de pessoas físicas pela web somaram 3,278 bilhões, com avanço de 3,5% - próximo ao aumento da base de clientes. Já o uso do Internet banking por empresas aumentou 7,6%, para 2,8 bilhões de operações bancárias.
A maior participação no total de transações é ainda das realizadas nos terminais de auto-atendimento, de 32,4%, com 11,9 bilhões de operações em 2006 - crescimento de 10,3% em relação a 2005. 100 milhões de contas
Balanço do setor recém-divulgado mostra que o número de contas correntes supera 100 milhões (somou 102,6 milhões em 2006), ou seja, passou da metade da população brasileira, estimada hoje pelo IBGE em 188,9 milhões de pessoas. O número inclui, no entanto, 28,9 milhões de contas inativas - avanço de 17,5% só no ano passado.
Para Fonseca, muitos clientes acabam abandonando as contas atraídos por facilidades ou serviços oferecidos por outros bancos. No ano passado, foram realizados 36,682 bilhões de transações bancárias no País, com aumento de 4,4% sobre 2005.
O maior crescimento foi verificado nas operações por meio dos correspondentes bancários - como lotéricas, correios e estabelecimentos comerciais. Nesse caso, o total de transações saltou 382,8% de 2005 para 2006, passando de 296 milhões de operações para 1,429 bilhão de operações.