Política

2008 já pauta Executivo e Câmara

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

A “corrida” eleitoral já começou e, mais do que movimentar os bastidores dos partidos, que articulam coligações, novas filiações - principalmente de pré-candidatos ao gabinete mais cobiçado do Palácio das Cerejeiras - e fortalecimento dos atuais quadros, ela já influencia politicamente muitas das atividades do Executivo e do Legislativo.

Essa influência - sutil e nunca assumida - parece já ter afetado vereadores, de um lado, e a unidade local da Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru, de outro. Desde o início da semana, o JC tem deixado recados telefônicos para o presidente da Cohab, Edison Gasparini Júnior, a fim de ouvi-lo sobre a proposta do vereador Marcelo Borges (PSDB) de divulgar a lista de espera dos pretendentes à casa própria da companhia no Diário Oficial do município. O pano de fundo: milhares de eleitores, com nome, endereço, telefone e, o mais importante para os políticos, o voto.

Segundo o parlamentar, a proposta conta com a simpatia do prefeito Tuga Angerami que, assim como Borges, entende que a medida visa dar transparência ao processo de venda de casas pela Cohab, obedecendo princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. No entanto, e apesar de seu “chefe” já ter sinalizado positivamente à idéia, Gasparini Júnior não retornou nenhuma das ligações efetuadas pela reportagem.

A atitude do presidente da Cohab já provoca especulações nos bastidores políticos. Há quem considere que a decisão de publicar a lista dos pretendentes, um compromisso antigo de Gasparini Júnior à frente do órgão, não seria interessante quando o assunto “eleições 2008” vem à tona. Na visão de quem acompanha de forma isenta o ambiente político, a inserção da lista no Diário Oficial seria o mesmo que revelar e entregar “de bandeja” o nome de potenciais eleitores que somente o atual presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Clemente Rezende, teria, ele que trabalha para tornar-se possível candidato a prefeito apoiado pelo grupo situacionista da administração municipal.

No Legislativo

Já a Câmara Municipal de Bauru também não demonstra imunidade ao fator “eleições 2008”. Uma das provas disso, conforme especulado por muitos entendedores dos bastidores políticos, teria ocorrido na Comissão Especial de Inquérito (CEI) - atualmente em fase de elaboração do relatório final - aberta para investigar supostas irregularidades na extinta Secretaria das Administrações Regionais (Sear) e no DAE.

Para muitos observadores do universo legislativo, a inclusão da autarquia nas investigações para analisar supostas “vendas” de reportagens jornalísticas favoráveis ao DAE teria sido motivada por um objetivo que ultrapassou os limites das simples apurações parlamentares: “pegar” seu presidente-candidato, ou seja, começar a minar a possível pré-candidatura de Rezende.

Outro exemplo de que a Câmara mantém suas baterias voltadas ao pleito do ano que vem foi divulgado ontem pelo JC. O Legislativo prepara um projeto de resolução para modificar diversos itens do Regimento Interno da Casa de Leis, como a atuação dos parlamentares nas comissões permanentes. Pela proposta, os vereadores terão apenas dois dias úteis para efetuar votos de parecer em separado - prorrogáveis somente por mais três em casos especiais - e só poderão solicitar documentos após submeterem tais pedidos ao plenário.

Nesse caso, o objetivo dos parlamentares é claro: evitar o desgaste com a opinião pública provocado pela demora - proposital e para atender interesses políticos externos - dos vereadores na análise de projetos e pedidos, como os de abertura de Comissões Especiais de Inquérito (CEIs). Recentemente, o tempo gasto pelo vereador Futaro Sato (PDT) para emitir seu parecer sobre a legalidade ou não do requerimento de instalação da CEI do Transporte foi alvo de enorme polêmica.

Ao solicitar diversos documentos antes dar seu parecer, o pedetista, aliado político da administração Tuga Angerami, chegou a ser acusado de “manobrar” a favor do governo municipal, mas defendeu-se alegando que tinha direito legal, como membro da Comissão de Justiça, Legislação e Redação, a requisitar tais pedidos.

Comentários

Comentários