“Mariana” (nome fictício) é mãe de três filhos e não quis ver seu pequenos explorados por quem quer que fosse. Ela é moradora do Núcleo Leão 13, próximo à Vila Dutra, tem dois empregos e vê seu bairro como um lugar problemático. “Não queria deixar meus filhos à mercê das drogas, precisava ocupar o tempo deles”, diz.
Assim que os filhos saíram da creche, Mariana procurou um dos projetos ligados à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e conseguiu vagas para os filhos. “Aqui eu tenho certeza que eles estão bem. Quero evitar que eles cheguem à rua”, sentencia.
Os filhos de Mariana passaram pela entidade “Pequenos Obreiros de Curuçá” (POC), montada pela iniciativa da Associação de Moradores da Vila Dutra e a que mais atende jovens vinculados ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti).
“São 85 crianças em dois programas com ações socioeducativas. Dessas crianças, 30 vêm do Peti e as outras são encaminhadas pelo Conselho Tutelar, Judiciário e por solicitações da comunidade”, afirma Samantha Mendes, assistente social do POC.
Ela ainda salienta que as crianças, na maioria entre 7 e 14 anos, chegam com problemas como baixo rendimento escolar e agressividade. “Com carinho e trabalho, todos melhoram. Só tivemos um caso de reincidência”, enfatiza.
Um dos garotos que fazem parte do POC é Jeferson. Ativo e esperto, o menino de 11 anos ajudava os pais e outros três irmãos a vigiar carros nas ruas próximas ao Bauru Tênis Clube (BTC). Jeferson conta que o dinheiro ganho era para ajudar os pais no orçamento da casa. Ele passava as noites em claro e não tinha forças para estudar.