Tribuna do Leitor

Grito de independência


| Tempo de leitura: 2 min

A imprensa tem divulgado, exaustivamente, a questão sobre o falível sistema educacional do Brasil. Os dados são preocupantes: o Brasil tem hoje uma nota média de 4 pontos, numa escala de 0 a 10. Gasta-se cerca de três vezes a mais com aposentadoria - públicas ou privadas - do que se investe em educação. Na eleição, os candidatos dão prioridade à educação. À medida em que foi se abrindo para a educação universal, a qualidade de ensino teve uma queda brusca. O governo fracassou na educação. Preferiu a quantidade e deixou a qualidade para trás. A cobrança por melhores resultados deve ser a principal preocupação dos pais, professores e gestores públicos.

De que vale construir inúmeras escolas se as crianças não estão absorvendo o conteúdo que lhes é ensinado? Até que ponto um país em que a maioria dos seus habitantes não consegue ler e entender um texto com um mínimo de complexidade pode ser considerado, de fato, independente? A Organização Social Todos pela Educação compilou metas a serem cumpridas até no ano de 2022, quando o Brasil comemorará 200 anos de independência. Uma educação de qualidade, inquestionavelmente, é o melhor instrumento disponível para garantir o direito das crianças e jovens de construir o seu projeto de futuro. Para isso, é preciso que haja qualidade de ensino e docentes.

Não conseguiremos atrair pessoas mais talentosas e preparadas sem estímulo salarial na carreira do professor. A experiência da última década mostrou que o problema não é somente financeiro. Os professores vivem sob intenso estresse, devido às salas superlotadas, alunos indisciplinados e agressivos, além de serem vítimas das mais diversas formas de violência. Os fatos apresentados são as traduções óbvias e anacrônicas dessa fragilidade: repetência, evasão e baixíssimo aprendizado. É necessário que o Brasil se concentre na qualidade de ensino para que se rompa o ciclo da ignorância. Cabe a nós cobrar por melhores resultados.

Melissa Liao

Comentários

Comentários