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Crianças de dez anos se prostituem

Por Rodrigo Ferrari | Com Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Elas costumam surgir depois que o sol se esconde e têm um objetivo claro: querem vender o próprio corpo em troca de dinheiro. Alguns dizem que elas fazem isso porque são “meninas de vida fácil”. Na verdade, elas são o retrato de um problema bem mais profundo, que envolve questões como miséria, falta de informação e impunidade - o da prostituição infantil.

Em Bauru, a situação pode ser considerada preocupante. Há relatos de meninas de 10 anos idade que ganham a vida se prostituindo. O Centro Integrado de Atenção às Pessoas Vítimas da Violência (CIAVV), ligado à Fundação Toledo (Fundato), vem acompanhando, desde maio do ano passado, 14 casos de menores vítimas de exploração sexual. Embora essa quantidade possa parecer pequena, quando comparada ao total de habitantes da cidade (cerca de 360 mil), especialistas garante que se trata de um número significativo.

“Temos de levar em conta que a maioria dos casos do gênero não chega ao nosso conhecimento. Por medo de se expor, as famílias acabam preferindo não denunciar esse crime às autoridades”, explica Adriana Celix Providello, psicóloga do CIAVV e coordenadora do Programa de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em Bauru. O projeto, criado pelo Governo Federal, vem sendo desenvolvido há pouco mais de um ano no município, por meio de uma parceria com a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), a Fundato e Conselho Tutelar.

A maioria das menores vítimas de exploração sexual acompanhadas pelo CIAVV pertence às camadas carentes da população. “O estado de vulnerabilidade é um fator que acaba empurrando essas meninas para o estado de exploração”, diz a psicóloga.

Para se ter uma idéia de como a situação é grave, em bairros da periferia a prostituição infantil já é vista como algo “normal” por boa parte dos moradores. É como se as menores que se oferecem para fazer sexo em troca de dinheiro fossem parte da paisagem.

Isso pode ser notado de maneira bem clara em locais como a rotatória que dá acesso à Quinta da Bela Olinda. Lá, depois das 19h, é fácil encontrar adolescentes se prostituindo. Quando um carro passa próximo, elas não perdem tempo e se oferecem ao motorista.

Essa insistência das garotas em permanecer no local indica que muitos homens estão disposto a utilizar os “serviços” que elas oferecem. Para Adriana Providello, a impunidade de “usuários” e exploradores é o fator que mais contribui para avanço da prostituição entre as menores de idade.

“Recolher as garotas é uma medida que, além de expô-las de maneira negativa perante à sociedade, não ataca a raiz do problema. É preciso punir os responsáveis pela exploração sexual”, avalia ela.

As próprias autoridades do município já parecem ter se dado conta disso - tanto que a Polícia Militar (PM) pretende intensificar as ações de combate aos usuários da prostituição infantil. O trabalho será desenvolvido em parceria com diversas entidades do município.

“Temos alguns pontos de prostituição já conhecidos e vamos intensificar as operações para identificar e até mesmo rechaçar o próprio cliente”, diz o comandante interino do 4.º Batalhão de PM do Interior (4º BPMI), o major Nélson Garcia Filho. “Além disso, vamos qualificar nossos profissionais para lidarem melhor com essa situação e redigiremos uma ordem normativa para estabelecer o procedimento padrão em casos de abuso”, afirma.

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