Eles não gostam de falar que são heróis, mas na verdade são. Afinal, que adjetivo poderia melhor defini-los? Os bombeiros, que anteontem comemoraram seu dia, compartilham com os bauruenses momentos de alegria e tristeza, como em qualquer profissão. Mas na que escolheram, tudo é impactante.
“Falam que somos heróis, mas por trás da farda que usamos estão pessoas comuns que sofrem como qualquer outra. O que vai acontecer está nas mãos de Deus”, afirma o major José Guerxis de Aguiar, 45 anos, comandante interino do 12.º Grupamento de Bombeiros de Bauru. Mas as histórias que ele e outros da corporação já viveram provam que poucas profissões exigem tanto esforço e dedicação quanto a dos bombeiros.
A sede do 12.º Grupamento de Bombeiros de Bauru é responsável por 74 cidades da região e tem um efetivo de 350 homens – 150 deles em Bauru. Cerca de 70% das ocorrências que atendem são de resgate. Os 30% restantes são de casos de incêndio, salvamento e atividades preventivas.
Com 23 anos dedicados ao Corpo de Bombeiros, quando questionado qual ocorrência marcou mais sua carreira, Guerxis não hesita. Foi no início da década de 90, em uma cidade no Interior do Estado. A cena era de dar frio no estômago. Um empresário do ramo de marketing ameaçava suicídio, dentro de sua casa. Ele estava com dois botijões de gás voltados para si e um palito de fósforo nas mãos e Guerxis tinha a difícil tarefa de convencê-lo a desistir da idéia. “A todo momento, ele me dizia que era para eu mudar meu discurso porque ele sabia de cor. Era só eu e Deus”, diz.
Em um dos momentos mais tensos, Guerxis entrou na casa, sem sapatos – pois o atrito do calçado no chão já seria suficiente para explodir tudo que estava em um raio de 50 metros do local. Depois de duas horas de conversa, finalmente o major – na época soldado – conseguiu convencê-lo. “Quando não havia mais risco de explosão, levei a esposa e a filha dele. No fim, tudo deu certo”, conta.
Mas nem sempre as histórias têm final feliz. Em Bauru, ele lembra-se do dia em que um avião caiu próximo da Praça Portugal, também no início da década de 90. “Foram duas vítimas fatais naquele acidente. O piloto não resistiu pois inalou muita fumaça. Mas uma senhora que passava pelo local foi pega de surpresa”, fala. Ele conta que a senhora estava indo ao supermercado quando lembrou que havia deixado a bolsa em sua casa. Quando voltou para buscá-la, o avião caiu em frente a sua casa, atingindo-a.
O destino também pegou de surpresa um soldado do Corpo de Bombeiros. “Ele foi atender uma ocorrência de acidente de trânsito. A vítima ficou presa nas ferragens e não resistiu. Mas tamanha foi a surpresa dele ao perceber que o rapaz era seu filho. Infelizmente, o choque foi tão grande que ele não se recuperou do trauma”, conta.
Segundo Guerxis, as ocorrências que envolvem crianças são que mais comovem os bombeiros. Em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), o major lembra-se de um caso bastante conhecido, que ocorreu há cerca de 4 anos. “Um menino caiu em um poço de 18 metros e foi resgatado pelos bombeiros. Ficou horas perdido, mas sobreviveu porque tinha um pouco de água no fundo do poço”, diz.
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Animais
O resgate de animais também faz parte do trabalho dos bombeiros. Portanto, retirar gatos de árvores ou cães de bueiros são atividades comuns. “Nosso objetivo é salvar vidas, sejam elas de humanos ou de animais”, esclarece major Guerxis. Em um dos casos que se recorda neste ano, um cão foi salvo em um bairro da periferia da cidade. “Os moradores ouviam um gemido vindo do bueiro, mas não conseguiam ver o animal. Conseguimos resgatá-lo com vida”, conta.