Política

Esquerda articula para ser ‘terceira via’

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar das definições oficiais sobre os nomes que disputarão o cargo mais cobiçado do Palácio das Cerejeiras em 2008 ainda estarem longe de ocorrer, o cenário eleitoral bauruense parece já ter definido, pelo menos, dois blocos políticos. Um deles seria formado pelo candidato tucano, enquanto o segundo composto pelo prefeitável apoiado pela atual administração. Mas um outro, integrado em sua maioria por partidos, teoricamente, de esquerda e “nanicos”, parece já estar se desenhando na cidade e poderá constituir uma “terceira via”.

As conversas e articulações voltadas à eventual formação do bloco ou frente “de esquerda” já começaram há um certo tempo, mas ganharam fôlego, na semana passada, quando a vereadora e pré-candidata Majô Jandreice (PC do B) reuniu-se com o também prefeitável e ex-deputado João Herrmann Neto (PDT) e o vereador Antonio Faria Neto, presidente do diretório municipal pedetista. E, hoje à noite, o PC do B também deverá sentar-se com o PSB, outra legenda desejada para a aliança, além do PHS e PMN.

“Estamos tentando constituir uma alternativa. O objetivo é esse”, ressaltou Jandreice, que acrescenta que o momento não é de decisões, mas de articulações e preparações. “Todos os partidos têm diretrizes individuais, mas vai se chegar uma oportunidade que irá afunilar e veremos como é que isso irá terminar. Agora, da mesma forma que os outros, estamos conversando com aqueles com quem temos proximidades ideológicas. Estamos fazendo o que o momento pede, que é de conversar, discutir e pensar em projetos, com cada partido buscando suas filiações e contatos”, resumiu a parlamentar bauruense.

O também vereador Antonio Faria Neto (PDT), além de confirmar as negociações direcionadas à formação do bloco “esquerdista”, adiantou que outros partidos já estão sendo convidados. Também ressaltou que o objetivo é similar à frente de esquerda já existente no Congresso Nacional. “Tentaremos ficar juntos aqui e a idéia seria que pudéssemos sair como a terceira via. A intenção é essa e ainda não se falou em nomes nesse grupo, mas a intenção é formar trazendo o PTB e o PT, com quem já começamos a conversar, mas ainda não está nada acertado”, destacou. E completou:

“A idéia é compor o PDT, PSB e PC do B, que já existe em nível nacional, e tentar trazer ainda o PTB, o PT e todos os partidos pequenos. Normalmente o PT lança candidatos e, se eles partirem para esse rumo, conversaremos no segundo turno. O objetivo principal é tentar formar o grupo e depois discutirmos os nomes, como o da Majô, do Herrmann e do Octaviani (Carlos Octaviani, prefeito de Agudos), que pode vir para o PSB”, disse Faria Neto. Consultado pela reportagem do JC, Octaviani disse que ainda não se decidiu se irá filiar-se a outro partido - atualmente é do PMDB - ou ser candidato em Bauru.

Já para o ex-deputado João Herrmann Neto (PDT), o importante não seria discutir uma frente “de esquerda”, mas sim uma “frente de Bauru”. “Minha intenção sempre foi de iniciar um debate entre todos aqueles que tenham interesse por Bauru para que avivemos a cidade e ela saia de um processo letárgico. Não estou aqui agora diagnosticando os motivos, mas há no ar um aforisma que diria que Bauru está carente. Tenho vontade de despertar em todos, não só os partidos de esquerda, mas todos os políticos, a frente para Bauru. Daí a dizer que é uma frente desse ou daquele partido parece precipitado por várias razões”, considera.

Herrmann diz também não acreditar em “clonagens” locais de blocos partidários formados em nível nacional. “Em nível nacional, não temos tido, desde 1989, uma sucessão de forças, como PMDB, PSDB e PFL, que tem conseguido replicar em nível local as alianças que se fazem em nível estadual ou nacional. Portanto, não acredito em réplicas locais, a não ser que o projeto para Bauru seja o principal”, frisou.

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