Tribuna do Leitor

A crise está no ar


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É certo que os ministros Marta Suplicy e Guido Mantega foram particularmente infelizes quando escarneceram do sofrimento de milhares de brasileiros literalmente ilhados nos aeroportos do país. Evidentemente não se pode creditar os transtornos a uma suposta e desenfreada vontade dos brasileiros em viajar de avião.

O que explica em parte a situação ora vivida são as rotas das ex-Vasp e ex-Varig ainda não devidamente assumidas pelas demais companhias apesar de todo o esforço neste sentido. Bem como o desarvoramento da TAM, pós-Rolim Amaro. E o pipocar de várias outras mini-aéreas tentando, sem sucesso, ocupar o espaço dos “cachorros grandes”.

Sem contar, por evidente, as demonstrações de força dos controladores de vôo, que após o acidente da Gol, resolveram trabalhar como sempre deveriam fazer: dentro das regras de segurança. Quem já viajou pelo espaço aéreo brasileiro antes do acidente deve ter arrepios ao imaginar os perigos por que passou e de que só graças à bondade divina escapou.

Entretanto, a crise da aviação não é apanágio nacional. As aéreas americanas estão “num osso só”. American, United, Delta oferecem um serviço de bordo de terceira qualidade, com atendentes grosseiros, informações imprecisas, atrasos em pousos e decolagens, enfim, uma situação muito parecida com a nossa.

A Ibéria, a TAP e a Alitalia também não primam pelo bom serviço. Refeições indigestas, banheiros imundos, espaço exíguo aos pobres passageiros que se espremem o quanto podem nas mini-poltronas. As sul-americanas então nem se fala. Minha filha Vanessa para fazer economia na passagem resolveu voltar ao Brasil pela Aerolineas Argentinas e está há dois dias em Miami aguardando um vôo que foi cancelado após todos os passageiros no interior do avião. Isto porque o piloto (argentino) resolveu trombar com um trator na pista, quando taxiava.

Pessoalmente já sofri meus percalços na América do Norte, no Caribe e na Europa. Exceto algumas companhias que ainda respeitam o passageiro (como a British Airways, a Japan Air Lines, a Swissair e a Korea), o panorama geral beira o caos.

Não é desculpa para nossos eternos problemas terceiro-mundistas. Mas não deixa de ser um consolo bastante razoável, quando vislumbramos os mesmos problemas nos ditos países do primeiro mundo.

Marco Antônio de Souza - advogado - OAB-SP 55.799

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