Nacional

Choro salva bebê deixado em bueiro

Por Vitor Sorano | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Dois guardas civis foram os responsáveis por salvar a vida do segundo bebê abandonado nesta semana no Estado. Recém-nascido, ele foi jogado em um bueiro com 1,5 metro de profundidade em Paulínia (126 quilômetros de SP). Na terça-feira, um bebê foi deixado no centro da Capital.

Ao dar entrada no hospital, Pedro - como foi batizado pelos médicos - estava com hipotermia, o que poderia levá-lo à morte. “Ele chegou envolto em um lençol muito fino e estava muito gelado. Eu só sabia que estava vivo por causa do choro”, contou Valcir de Andrade Emerick, 31 anos, o guarda que retirou o bebê do bueiro. “Antes de vê-lo, eu imaginei que o menino estava machucado, já que havia caco de vidro, latas...”, continuou.

Apesar da queda ao ser jogado no bueiro, o bebê passa bem. “Ele só tinha um hematomazinho no rosto”, disse Rodrigo Domingues Vieira, 25 anos, o outro guarda civil que resgatou o recém-nascido. De acordo com o Hospital Municipal de Paulínia, onde o bebê está em observação, as condições do cordão umbilical demonstra que ele nasceu entre a tarde de quarta e a madrugada de ontem. O parto, provavelmente, foi feito em casa, o que deve dificultar as investigações sobre a mãe.

Por sorte

De acordo com os relatos feitos à polícia, algumas pessoas de bicicleta ouviram o choro ao passar próximo ao bueiro, que fica na avenida prefeito José Lozano Araújo. “Eles avisaram um motorista de ambulância, que foi até a base da Guarda Civil. Eram 7h50”, relatou Vieira.

Os guardas, então, utilizaram uma chave de roda que estava na ambulância como alavanca para retirar a laje de concreto que cobre o bueiro. “Ligamos para o bombeiros para conseguir romper o lacre da laje, mas nós mesmos conseguimos arrancar”, disse.

Até a conclusão desta edição, a mãe ainda não havia sido localizada pela polícia. O frentista João Batista de Oliveira, 43 anos, afirma ter visto perto dali uma mulher com uma criança no colo por volta das 7h. “Passei para ir para o trabalho, de carro, e achei estranho. Quando os guardas comentaram é que eu entendi o que aconteceu.” “A descrição que temos é de uma mulher parda, de 1,65 metro e mais de 60 quilos”, disse o delegado Tadeu Aparecido Brito, da Delegacia de Paulínia.

Além de encontrar a mãe - que pode ser responsabilizada por tentativa de homicídio e abandono de incapaz -, os próximos passos devem encaminhar a criança para um abrigo e aguardar os interessados em adotá-la. “Se não apurarmos quem são os pais em 30 dias, ela vai ser registrada, mas sem nome”, disse o promotor da Infância e Juventude de Paulínia, Jorge Alberto Mamede Masseran.

A hipotermia - redução da temperatura do corpo para abaixo do normal - pode levar à morte, pois altera as funções metabólicas, cardíaca e respiratória. Normalmente, a hipotermia é causada por exposição prolongada ao frio. Na média, a temperatura do corpo é de 36,5ºC. O bebê de Paulínia estava com 34ºC ao chegar ao hospital.

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