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Desmonte ambiental


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Quando as mega-usinas de Itaipú, no rio Paraná e de Tucuruí, no rio Tocantins, estavam em fase de projeto nos escritórios de engenharia e nos departamentos competentes do Ministério de Minas e Energia, nos anos 60 e 70 do século passado, outras 25 hidrelétricas eram construídas no Brasil, simultaneamente. Algumas sob supervisão do governo federal, outras pelos governos estaduais, nem todas entregues nos prazos inicialmente previstos mas todas concluídas e produzindo a energia que manteve o Brasil aceso até o final do século.

Da segunda metade da década dos oitenta em diante, pouco se investiu no setor hidrelétrico. Nenhum projeto importante foi iniciado.As equipes de planejamento estratégico dos departamentos dos governos foram sendo desmontadas e se dispersavam os quadros técnicos no setor privado de construção pesada. No Brasil, esta era a área de atividade onde se reuniram ao longo dos anos as melhores equipes de engenharia e especialistas de alto nível na construção de barragens, reconhecidas universalmente. Nas grandes obras que financiava em todos os Continentes, o Banco Mundial contratava os nossos “barrageiros” como consultores. Um atraso absolutamente injustificável que acabou produzindo a pior solução em termos de preservação ambiental, pois está obrigando o governo a convergir para a expansão do uso das termoelétricas alimentadas com os ultrapoluentes derivados do petróleo e em seguida o combustível nuclear. Decorre desta ação desastrada dos pseudoecologistas a decisão de priorizar a construção de Angra III: mesmo sendo menos poluente do que as termoelétricas a óleo ou gás, a usina nuclear tem dois inconvenientes graves que são o problema não resolvido do destino do resíduo radioativo e o próprio custo muito superior da energia fornecida. O fato é que, independentemente da pressão dos “ecochatos” de todos os matizes, os governos assistiram passivamente nos últimos vinte anos a destruição de uma das maiores vantagens comparativas que impulsionava o crescimento brasileiro, representada pela oferta da energia limpa e barata de nossas hidroelétricas. Abandonamos uma matriz energética que a maioria dos demais países invejava e permitimos a degradação de um material humano da melhor qualidade e competência. É um patrimônio que nos vai custar o tempo de uma geração para repor.

O autor, Antonio Delfim Netto, professor Emérito da FEA/USP , ex-ministro da Fazenda , da Agricultura e do Planejamento - e-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br

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