Rio - A divulgação das sete novas maravilhas do mundo será hoje em Lisboa. O Cristo Redentor concorre com outras 19 atrações. A votação terminaria às 21h de ontem. Em um ranking parcial divulgado no dia 7 de junho, o Cristo estava entre os dez mais votados. Desde então a promotora da concurso, a fundação The New 7 Wonders, não tem mais divulgado a listagem.
Ontem à tarde, a coordenação da campanha brasileira anunciou que o Cristo estava em oitavo lugar, com chances de chegar entre os sete primeiros. A fundação não confirmou.
O resultado será conhecido às 19h em Lisboa, no estádio da Luz. No Brasil, serão 15h (horário de Brasília).
Concorrem ainda as ruínas da Acrópoles (Grécia), as pirâmides de Chichén Itzá (México), o Coliseu de Roma (Itália), a torre Eiffel (França), a Grande Muralha da China, Machu Picchu (Peru), a cidade de Petra (Jordânia), as estátuas na Ilha da Páscoa (Chile), o palácio Taj Mahal (Índia), o Alhambra (Espanha), Angkor (Camboja), a basílica de Santa Sofia (Turquia), o templo de Kiyomizu (Japão), o Kremlin e a praça Vermelha (Rússia), o castelo de Neuschwanstein (Alemanha), a estátua da Liberdade (EUA), Stonehenge (Reino Unido), a Ópera de Sidney (Austrália) e Timbuktu (Mali). As pirâmides de Gizé (Egito) não estão na disputa - trata-se do único remanescente das antigas sete maravilhas.
Turistas sofrem
Turistas pagam seus pecados para visitar o Cristo. Atração turística que disputa ser uma das novas sete maravilhas mundiais, o Corcovado trata mal os visitantes, que ficam sob o assédio de taxistas, guias piratas e flanelinhas que cobram preços extorsivos.
Ontem, um mendigo foi retirado retirado por seguranças por, de acordo com a administração do Cristo, importunar visitantes. A atração recebe de 3 mil a 10 mil visitantes por dia, a depender da época do ano.
O superintendente regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rogério Rocco, disse que ele deve ter chegado ao Corcovado por trilhas, “o que não é proibido”. O Ibama administra o Parque Nacional da Floresta da Tijuca, onde fica o Corcovado.
Os problemas de quem visita o Corcovado começam na estação do trem, na rua Cosme Velho. Na chegada, o turista é abordado por taxistas e falsos guias, que tentam convencê-lo a desistir da viagem de trem. Alegam que a condução atrasa e que é sempre assaltada. A passagem de trem custa R$ 36,00 (adultos) e R$ 18,00 (crianças de 6 a 12 anos). Os taxistas cobram até R$ 50,00 por pessoa. Se convencerem quatro pessoas, recebem R$ 200,00. No taxímetro, uma corrida igual, de 9 quilômetros, não valeria mais de R$ 20,00.
Na praça da estação, o guardador de carros credenciado pela Prefeitura do Rio cobra R$ 2,00 por duas horas, mas pede “o da caixinha” por fora. Sem saber que falava com um repórter, ele disse que o dono do carro pagava quanto quisesse, além dos R$ 2,00. Quando o repórter chegou à estação, às 11h, foi abordado por um dos cerca de 20 taxistas que assediavam os visitantes. Ele disse que fazia o passeio pelo mesmo preço do trem porque era para brasileiro. Se fosse “gringo”, seriam R$ 50,00. A proposta não foi aceita.
Em um carro sem o logotipo da reportagem, o repórter foi até as Paineiras, onde ficam os carros de passeio, proibidos de seguir até o Corcovado desde que a Polícia Federal, em maio, descobriu um esquema de desvio de dinheiro dos ingressos. No estacionamento, outra cobrança de R$ 2,00. Além disso, taxistas se oferecem para levar o visitante até o alto do Corcovado por quantias que variam de R$ 10,00 a R$ 15,00 - um trajeto de 2,5 quilômetros.
A opção é uma van, que cobra R$ 10,00. Já no Corcovado, se sentir sede, o turista tem que pagar R$ 3,00 pela água com gás (garrafa pequena). A sem gás custa R$ 2,50. Um misto quente, o sanduíche mais barato, custa R$ 6,50. O caso é investigado.