Nacional

Renan Calheiros quer barrar recesso

Por Gabriela Guerreiro e Renata Giraldi | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Com o receio de ser acusado de paralisar as investigações do Conselho de Ética no recesso de julho, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMD-AL), trabalha nos bastidores para adiar a votação a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Pelo regimento do Congresso, o recesso parlamentar só pode ter início depois da aprovação da lei. A reportagem apurou que Renan não quer passar a imagem de que o recesso poderá protelar as investigações do Conselho sobre o processo no qual é acusado de quebra de decoro parlamentar.

Nos bastidores, o presidente do Senado alega que nos últimos dez anos, a LDO não foi votada no mês de julho - o que abre caminho para o Congresso funcionar numa espécie de “recesso branco”, o que permite a manutenção das atividades do conselho.

O senador é acusado de pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, com recursos da empreiteira Mendes Júnior.

O Conselho de Ética espera concluir as investigações sobre o caso somente em setembro. Por isso, o peemedebista trabalha para que o Congresso não entre em recesso, uma vez que, com atividades paradas ou não em julho, as investigações vão andar em passos lentos no próximo mês. A Polícia Federal estabeleceu o prazo de 20 dias para concluir perícia nos documentos encaminhados pela defesa de Renan. Só depois da perícia os três relatores do processo prometem dar prosseguimento às investigações - Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Almeida Lima (PMDB-SE).

Boicote

Renan também teme presidir a sessão do Congresso Nacional para a votação da LDO, uma vez que deputados da oposição prometem obstruir os trabalhos se o senador estiver na presidência. O PPS lidera um movimento de boicote, caso Renan insista em presidir a sessão do Congresso.

O partido argumenta que o senador deve se afastar do cargo até que as investigações do conselho estejam concluídas. “Ele não pode conduzir a votação. Quem conduz tem influências sobre o que vai ser votado. E ele não tem condições atualmente para isso”, disse o líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC).

Anteontem, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso aprovou o texto básico da LDO. Na próxima terça-feira, serão votados cerca de 700 destaques ao texto principal. Só depois de aprovada na comissão a LDO poderá ser enviada para votação em sessão conjunta da Câmara e do Senado.

Apesar das ameaças da oposição, o líder do governo na Câmara, deputado José Múcio (PTB-PE), disse que não vê problemas nem dificuldades para colocar a LDO em votação na próxima semana. O vice-líder do PT na Casa, Henrique Fontana (RS), também acredita que não há obstáculos à aprovação da lei.

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