Saúde

Esclerose múltipla também atinge crianças

Da Redação
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A esclerose múltipla não é uma doença restrita apenas a adultos. As crianças e adolescentes também são alvo desta doença auto-imune e existem poucos especialistas com experiência em pacientes nestas faixas etárias.

Pesquisas internacionais mostram que quase 5% dos pacientes diagnosticados com esclerose múltipla são menores de 16 anos quando os primeiros sintomas surgem. A doença caracteriza-se na maioria dos casos por surto-remissão (surtos seguidos de melhoras), mas nas crianças ela pode ser mais complexa e prejudicial.

Segundo pesquisa realizada em 1997, na Itália, pelo grupo do pesquisador Ângelo Ghezzi, com 3.375 pacientes portadores da doença, 149 (4,4%) eram menores de 16 anos quando os primeiros sintomas surgiram.

Quanto mais cedo a doença aparece, pior, pois ela pode evoluir com seqüelas maiores. Os sintomas mais comuns são vômitos, dores de cabeça, apatia e convulsões. Estas últimas são mais freqüentes nos pequenos do que em adultos. São 22% contra 0,5%.

A esclerose múltipla age de forma semelhante em crianças e em adultos e o curso da doença. Para o diagnóstico, além de clínico, utiliza-se da ressonância magnética e do acompanhamento da evolução dos sinais e sintomas neurológicos ao longo do tempo. Algumas doenças que afetam a mielina (substância que envolve os neurônios responsáveis pelos impulsos nervosos para o cérebro e para todo o corpo) são importantes no diagnóstico diferencial do problema, como é o caso da neurite óptica, uma inflamação no nervo óptico, presente em 25% a 75% dos pacientes.

O tratamento nas crianças é similar ao em adultos, inclusive são administradas as mesmas doses de medicamentos, com boa tolerabilidade. A criança não nasce com esclerose múltipla. Há uma suscetibilidade para que a pessoa a desenvolva, influenciada também pelo fator ambiental. A doença é transmitida hereditariamente, envolvendo a interação de dois ou mais genes.

A rotina de uma criança com esclerose múltipla é normal, respeitando-se, porém, as limitações impostas por alguns sintomas. É importante também que o neurologista tente definir a doença no primeiro surto, utilizando também técnicas adicionais de neuroimagem, como a ressonância magnética.

A esclerose múltipla é a causa mais comum de incapacidade neurológica em adultos jovens. Pode afetar os movimentos, causar problemas visuais, dificuldades do controle da urina e até impotência. A doença atinge 2 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil não há dados precisos sobre o número de pacientes, mas estima-se que seja da ordem de 25 mil a 50 mil pessoas.

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