Sapatos fechados e mais apertados, meias de nylon, banhos quentes - e demorados. Os hábitos e a moda do inverno propiciam o surgimento de micoses nos pés quase tanto quanto no verão, dizem especialistas. Ocorre que, no frio, o pé fica em contato com mais umidade e calor, condições bem favoráveis às micoses.
Embora esses microorganismos se proliferem facilmente no verão, o abafamento no inverno torna os pés mais suscetíveis, afirma Denise Steiner, responsável pelo departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Nos locais menos arejados, a micose entra em um estado crônico, e o tratamento é dificultado, diz. A meia sintética, por não absorver o suor, é um dos principais complicadores para quem tem uma micose, afirma a podóloga Rosângela Bittencourt. Os longos banhos quentes também fazem parte dos maus hábitos de inverno.
“Cria-se um ambiente mais úmido em casa, o que facilita o aparecimento dos microorganismos.’’ Segundo Ana Lúcia Recio, da Academia Americana de Dermatologia, além de haver uma persistência maior dos microorganismos no inverno, o incômodo pode ser pior. “Coça mais’’, afirma.
Ela diz que as micoses são mais comuns nos pés do que em qualquer outra região do corpo. A área entre os dedos e a curva do pé são as mais atingidas. Manter uma higiene rigorosa é a melhor maneira de manter os pés livres de micoses, diz Recio.
Outras dicas são: evitar o uso do mesmo sapato dois dias em seguida; usar talco entre os dedos; colocar os sapatos para ventilar; preferir meias de algodão a meias de nylon ou de qualquer tecido sintético.
Vermelhidão, descamação da pele, formação de vesículas (pequenas bolhas de água) e coceira são os principais sintomas das micoses. Por isso, é fácil confundi-las com alergias, explica Recio. “Se não for uma micose muito óbvia, é bom fazer um exame para ver se não é alguma reação alérgica.’’
Algumas pessoas são mais predispostas a ter micoses. “Existe um antifúngico natural que todos nós temos, mas aspectos da própria constituição física leva algumas pessoas a terem mais problemas’’ E, uma vez adquirida, a chance de a micose voltar é sempre maior, porque o microorganismo altera a imunidade local. “Ao contrário de outras doenças, como catapora, a micose, quando aparece na primeira vez, deixa o corpo mais vulnerável’’, explica a dermatologista Ligia Kogos.
O tratamento das micoses se dá por meio de medicação de uso tópico ou oral, e pode levar 40 dias. Outras complicações Para Kogos, os principais problemas que os pés enfrentam no inverno são conseqüência do próprio ressecamento da pele: eczemas (descamação da pele e vermelhidão), as rachaduras no solado do pé e a dureza no calcanhar, por exemplo. Quanto às micoses, ela diz que o verão ainda é a época mais propícia, “disparado’’. “Apesar de as mulheres usarem os sapatos mais fechados, a incidência no verão ainda é maior.”
____________________
Antimicótico
O uso de antimicóticos sem acompanhamento médico pode retardar a cura e até piorar o quadro, afirmam dermatologistas. De acordo com Ana Lúcia Récio, da Academia Americana de Dermatologia, alguns antifúngicos que estão no mercado misturam princípios ativos diferentes e, em vez de combater a micose, acabam por alimentá-la. “A composição pode ser ineficaz. Às vezes, misturam corticóides no antifúngico. Essa substância torna a micose mais forte.’’
O uso indiscriminado de pomadas, estimulado por comerciais de TV, dificulta o tratamento correto, afirma Denise Steiner, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Um dos problemas, diz, está na aplicação por tempo insuficiente. Em geral, o período de aplicação dos produtos gira em torno de 40 dias.
Nesse caso, os fungos podem criar uma resistência ao medicamento, explica Steiner. “O que acontece é que ocorre uma seleção dos fungos mais resistentes quando o remédio é tomado de forma inadequada.’’
Para Recio, o problema é a falta de ineficácia de muitos remédios anunciados na TV. “Acontece do paciente começar a tomar medicação por conta própria. Às vezes, não adianta nada e é preciso recomeçar o tratamento’’.