Internacional

Casa Branca nega retirada do Iraque

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - O governo americano negou ontem que esteja considerando o início da retirada de tropas do Iraque e garantiu que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não tem planos para uma saída iminente dos soldados. “Não há nenhum debate neste momento sobre uma retirada imediata de tropas do Iraque”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, em sua entrevista coletiva diária.

Na edição de ontem, o jornal “The New York Times” afirmou que a Casa Branca abriu um debate interno sobre o assunto ante o temor de que as últimas bases de apoio à guerra no Partido Republicano estejam desmoronando. Nas últimas duas semanas, três senadores republicanos disseram discordar da atual estratégia no Iraque e pediram um plano para o retorno gradual dos soldados. No próximo domingo, o governo deverá apresentar ao Congresso dos EUA um relatório preliminar sobre o desenvolvimento da guerra depois do aumento de tropas ordenado por Bush em janeiro.

O porta-voz da Casa Branca afirmou que o informe será “uma primeira imagem”, já que o aumento de tropas levou um tempo até entrar em fase de plena atividade, e descartou que o documento vá estabelecer datas para retirada.

Na reportagem, oficiais do governo americano e consultores citados pelo “New York Times” afirmam que os últimos pilares de apoio político entre senadores republicanos para a estratégia da Casa Branca no Iraque estariam ruindo.

O “Times” afirma que as forças estão “convergindo contra Bush” enquanto o Senado americano prepara o início do debate sobre o futuro da guerra e seu financiamento. Segundo o jornal, assistentes de Bush estão aconselhando o anúncio de uma missão mais limitada no Iraque para permitir a preparação da retirada.

Alerta

Autoridades iraquianas voltaram a dizer que suas próprias tropas não estão preparadas para uma retirada prematura dos soldados americanos do país, que poderia produzir um vácuo perigoso na segurança.

“A retirada poderá desencadear uma guerra civil com partilha do país e guerra regional. Poderemos ver o colapso do país”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Iraque, o curdo Hoshiyar Zebari.

O vice-presidente iraquiano, Tareq al Hashemi, afirmou que os iraquianos têm o direito de tomar armas para se defenderem, mas se mostrou preocupado com a saída das tropas americanas. “Ficaria muito feliz de ver o último soldado americano partir... mas o problema é: quem vai preencher o vácuo na segurança se estas forças forem embora?”

“Nós no Iraque - não apenas o governo, mas todos os partidos políticos - acreditamos que a presença dessas forças é necessária para impedir o aumento da violência e para que o país não entre em guerra civil”, disse ainda Sadiq al Rikabi, conselheiro sênior do premiê iraquiano, Nouri al Maliki.

A tensão chega depois de um final de semana particularmente sangrento no Iraque, com um saldo de mais de 200 mortos. No pior ataque, a explosão de um caminhão-bomba no vilarejo de Amerli (Norte do Iraque) no sábado deixou ao menos 115 mortos, de acordo com as autoridades iraquianas.

Ontem, a violência não deu tréguas. Ao menos nove soldados iraquianos morreram e 20 ficaram feridos na explosão de uma bomba de beira de estrada perto de Balad, 80 quilômetros ao norte de Bagdá, informou a polícia.

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