É impressionante como a babaquice, para não dizer mediocridade, tomou conta de certos programas da TV aberta. Com as exceções de praxe, que incluem aconselhamento e solução psicológica, o que se encontra, invariavelmente, no horário da tarde, são programas de fuxicos sobre pseudocelebridades ou a exploração de casos do cotidiano de pessoas simples, convidadas a esses programas para relatarem seus dramas pessoais. Assim, segredos íntimos são revelados, ao vivo, sem a menor cerimônia, expondo pessoas ao ridículo.
Casos de traição, triângulos amorosos, perseguições filmadas, nada escapa à sanha devastadora de tais programas, que fazem de tudo isso a sua matéria diária, isto é, o seu próprio objeto.
Já houve até uma placa onde se lia ”É mentira!”, que um convidado era obrigado a empunhar, após alguma afirmação de outro, sobre o qual ele não teria a menor condição de duvidar e, portanto, constrangendo-o publicamente.
Inacreditável é que, quase sempre, uma das partes vai ao programa, inocentemente, ignorando o verdadeiro motivo de sua presença, já que a isso fora induzida e, quando se dá conta, sua imagem já está no ar e sua privacidade “no brejo”.
Esses programas, ao manipularem a boa-fé e a simplicidade em busca de audiência, desrespeitam a dignidade e o ir-e-vir das pessoas. Em vez de usarem seu poder de comunicação de massa para elevar o nível de consciência de nosso povo, prestam um desserviço, ao banalizar o direito individual, tornando-o público!
Sugere-se, então, um repensar e mudança em tais programas, com a convicção de que, para isso, não faltará a propalada criatividade do brasileiro, a ser usada simultaneamente para divertir e contribuir com a inteligência e não anestasiá-la!
A autora, Marília Lindóia Rol-lo Duarte, é professora e revisora de texto