Nacional

Vaz de Lima arquiva CPI da Nossa Caixa

Por Catia Seabra | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, Vaz de Lima (PSDB), recorreu ao exemplo do petista João Paulo Cunha para dar como arquivada a CPI da Nossa Caixa.

No mesmo ato, citou o ex-presidente da Câmara para justificar a adoção da ordem cronológica de instalação de comissões parlamentares de inquérito na Casa, critério que deixou a CPI da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) - a 15.ª da fila - para o segundo semestre de 2008.

Na noite da última quarta-feira, ao responder a uma questão de ordem do PTB e instalar cinco novas CPIs, Vaz de Lima lembrou uma decisão de Cunha, de fevereiro de 2003. Questionado à época, o petista disse considerar arquivados os requerimentos de CPIs apresentados na Legislatura anterior e defendia a fila de apresentação para a instalação de futuras comissões.

Horas antes do anúncio de Vaz, o líder do governo na Assembléia, Barros Munhoz (PSDB), exibiu em plenário reportagem sobre eventual desvio de recursos do governo federal para responder aos petistas, que em plenário listavam supostas irregularidades na construção de casas populares do Estado. “Quando, lá em Brasília, eles usam regimento em favor deles, isso vale. Quando uso o regimento, não a favor de ninguém, mas a favor da justiça, não serve?”, argumenta Vaz de Lima.

Usada em São Paulo para constranger a oposição, a evocação de práticas do PT nacional não chega a agradar a bancada federal do PSDB, que tenta se apresentar como uma alternativa ao governo federal. Relatora do processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Marisa Serrano (PSDB-MS) defende que o PSDB “mostre uma face ética e se credencie como alternativa confiável de gestão”. “Tenho certeza que Serra mostrará isso em São Paulo, assim como Aécio tem mostrado em Minas”, diz a senadora.

Sem constrangimento

No cenário nacional, os tucanos repetem que não se sentem constrangidos com as provocações do PT paulista, de que o PSDB tem um discurso em Brasília e outra prática em São Paulo. “Aqui, eles não querem CPI de jeito nenhum. Nem precisa sair do Estado”, alfineta o petista Rui Falcão, lembrando que, na gestão de Marta Suplicy, o PSDB pregava a instalação de CPIs no município, mas rechaçava na Alesp.

Cotado para assumir a presidência nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) diz não se constranger com a situação, mas acaba tendo de se justificar. “O PSDB não é o partido das CPIs. No Senado, estamos fazendo a nossa obrigação.” A senadora Lúcia Vânia (GO) diz que não se deve comparar uma questão local com um problema no Congresso Nacional. “Aqui, temos uma posição que a sociedade quer. É bem diferente de uma questão localizada. O jogo na Assembléia Legislativa é muito bem definido”.

Vaz de Lima repele qualquer comparação de sua decisão com a estratégia de defesa de Renan Calheiros. “Querer fazer uma vinculação disso com o que está ocorrendo no Senado não tem nada a ver. No máximo, o que pode querer é comparar iguais. Comparar a obstrução que eles tentaram e tentam fazer com a CPI do Apagão lá com a CPI daqui é um bom intento. Agora, até misturar com o Renan, há quilômetros de distância”.

Ele diz que não tem culpa se os petistas não conseguiram reunir número suficiente para instalação da CPI da CDHU antes de outras 14. “Entre o que eles querem e o possível, há uma distância enorme”, declara o presidente da Assembléia Legislativa paulista.

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