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A merecida vaia do Pan


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Não estive na abertura do Pan na cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro. Também não pude ver a abertura pela televisão, infelizmente estava trabalhando na ocasião. Inclusive achei injusto que a abertura fosse numa sexta-feira no final da tarde, imaginava que fosse acontecer num sábado, onde mais pessoas pudessem acompanhar esse momento tão nobre e importante. Mas foi através de um importante jornal de circulação regional que soube que o nosso afável presidente foi vaiado pelo público através de um artigo intitulado "O Brasil branco que vaiou o Lula". E para aumentar a minha tristeza infelizmente também perdi a vaia.

Mas o mesmo jornalista que resolveu escrever sobre esse momento da vaia faz colocações que não considero apropriadas, até porque suas argumentações sobre a origem de tal manifestação são segmentárias e negam todos os acontecimentos vergonhosos que vêm arrastando o país nos últimos anos.

Vamos aos fatos... Nosso equivocado jornalista escreve que a dita vaia veio de uma imensa massa branca, pois, como ele mesmo coloca, não via gente pobre no Maracanã, mas apenas brancos bem vestidos. Teve a disposição de intitular o público “branco” da abertura do Pan de “bem-alimentados e bem-vestidos” e que por isso a vaia teria sido mais maciça uma vez que o nosso presidente veio de uma classe diferente, ou seja, pobre.

Sobre se o presidente merecia ou não tal vaia, ele apenas coloca que “provavelmente mereceu a vaia”. Me perdoe o jornalista, que confesso não conhecer, mas o nosso presidente mereceu muito mais do que uma vaia. Gostaria de recordar fatos como o mensalão, os dólares na cueca, o vergonhoso valérioduto, o caso do gás boliviano, a crise dos aeroportos, o irmão vendendo influência no governo, a quebra do sigilo bancário, o aumento sucessivo dos impostos, a explosão da corrupção, o espetáculo do crescimento e o baixo desempenho do Brasil, entre outros. Tudo ocorrido no governo Lula. E apesar de tudo isso o jornalista credita a vaia a uma situação racial ou classista. Confesso sim que o momento de abertura do Pan não foi apropriado para essa magnífica manifestação, mas se o fizeram lá, na abertura do Pan, é porque tem muita, mas muita gente mesmo cansada desse festival de desgoverno que todos, brancos ou não, temos assistido nos últimos tempos.

O autor, professor doutor Malcon A. Tafner, é colaborador de Opinião

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