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O que será que aconteceu?


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Pasmos, chocados, inertes, impotentes, assistimos quase que ao vivo uma tragédia. Segundo manchete de um jornal: “Tragédia anunciada”.

Certamente a maior tragédia da aviação brasileira.

Comparando com a tragédia ocorrida nos Estados Unidos quando dois aviões se chocaram com o World Trade Center vimos muitas coincidências que nos fazem refletir e quiçá faça também outras pessoas refletirem.

Como o ocorrido em 11 de setembro de 2001 vimos o desespero de amigos e familiares das vítimas, vimos o duro, incessante e honroso trabalho de homens do corpo de bombeiros que arriscando a própria vida trabalharam no acidente, vimos um prédio em chamas que guardadas às devidas proporções lembrava o cenário de horror de anos anteriores, vimos um país parar, se entristecer e solidarizar-se com as muitas vidas ali findadas.

Agora, questionamos um único fator: O que será que aconteceu?

Muitas hipóteses já se levantam, mas sem entrar no mérito técnico, questionamos se as causas caminham para o descaso, o despreparo ou o desinteresse daqueles que tem o dever de atuar e resolver o caos que se instalou na aviação brasileira?

O acidente de 11 de setembro de 2001 foi planejado e executado por terroristas muito bem articulados que covardemente apunhalaram o mundo com esse ato infame e descabido de razão.

E o acidente de anteontem? Acredito que não foi planejado por um grupo terrorista. Mas então repito: o que aconteceu?

Seria um descaso das autoridades responsáveis que ignoraram a precária situação da aviação brasileira na qual acompanhamos nos últimos meses?

Seria um jogo de interesses maquiavélicos e baixos que preterem a segurança de milhões de passageiros em razão de interesses pessoais?

Seria o despreparo técnico das autoridades e operadores desse sistema?

Ao ser perguntado em entrevista coletiva, na madrugada do dia 17/7/07, horas depois do acidente, se o sr. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva teria a tranqüilidade (eu diria coragem) de pousar em Congonhas, o porta-voz da Presidência da República, sr. Marcelo Baumbach, respondeu dizendo que essa pergunta era especulação e não iria responder.

Mas gostaria de repetir essa pergunta ao nosso presidente e às demais autoridades que podem interferir nessa crise infindável.

Os senhores teriam a tranqüilidade de pousar em Congonhas com a pista nas condições que estão em dia de chuva?

Os senhores teriam a tranqüilidade de pousar em Congonhas com a falta de controladores suficientes e preparados adequadamente como relatam recentes afirmações de autoridades do setor que dizem ter controladores que sequer dominam o inglês?

Os senhores teriam a disponibilidade de pousar em Congonhas depois de esperar horas em razão do tráfego aéreo e depois esperar outras tantas horas para decolar?

Os senhores teriam a paciência de esperar horas nas filas e ouvir desculpas esfarrapadas das empresas aéreas tentando justificar os constantes atrasos?

Os senhores teriam a condições de dormir nos bancos de Congonhas à espera de um embarque remarcado por sabe-se lá quantas vezes?

Realmente não teria a inocência exacerbada de esperar as resposta dessas perguntas, mas aguardo como usuário desse sistema, que não só respostas, mas atitudes sejam tomadas urgentemente e com a solidez necessária para que a frase: “O maior acidente da história da aviação brasileira” nunca mais seja remarcada para outra data.

Nossos sinceros sentimentos aos que perderam a vida nesse acidente.

O autor, Luiz Fernando Nóbrega, é contador - e-maiol: luiz-nobrega@uol.com.br

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